Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 19/10/2026

Na obra “O Jogador”, de Fiódor Dostoiévski, o protagonista é consumido pela compulsão pelos jogos de azar, demonstrando os efeitos devastadores da busca desenfreada pelo lucro fácil. Fora da ficção, a contemporaniedade brasileira espelha esse drama com a ascenção das “bets” e jogos de aposta on-line. Essa problemática assenta em duas causas centrais: a publicidade enganosa promovida por influenciadores digitais e a vulnerabilidade socioeconômica da população, gerando endividamento a e transtornos psíquicos que exigem intervenção estatal.

Em primeiro lugar, a vulnerabilidade material e a busca por mobilidade social alimentam o vicio. Segundo Karl Marx, o sistema capitalista produz profunda alienação nos indivíduos, fazendo-os procurar saídas ilusórias para a sua condição socioeconômica. Nesse contexto, a falta de perspetivas econômicas leva muitos a enxergarem as apostas não como entretenimento, mas como fonte de renda. Essa ilusão, é amplificada por influencers que divulgam plataformas com contas simuladas de ganho fácil, estimulando a compulsão, alimentando um ciclo vicioso.

Por outro lado, os impactos sociais e psicológicos são severos. A Constituição de 1988 assegura a dignidade humana e a segurança social; contudo, a expansão da ludotopia viola esses direitos. O vício culmina em superendividamento, recurso à agiotagem e degradação das relações familiares. No entanto, além desse colapso, desencadeiam-se severas consequências psíquicas, como isolamento familiar, depressão, e até ideação suicida, sobrecarregando os serviços públicos de saúde mental, como os CAPSs e o SUS.

Infere-se, portanto, a necessidade de ações afetivas. O Ministério da Fazenda deve fiscalizar rigidamente as plataformas de bets, proibindo propagandas enganosas e impondo limites automáticos de gastos aos utilizadores. Cabe também ao Ministério da Saúde ampliar o atendimento psicológico gratuito aos viciados, enquanto o Ministério da Educação promove oficinas de educação financeira nas escolas, mitigando o problema.