Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 19/10/2026

O filme “Joias Brutas”, lançado em 2019, retrata um joalheiro que arruína a si mesmo e a sua família por causa do seu vício em apostas esportivas. Fora da ficção, a dependência em jogos de azar tem se tornado um problema de saúde pública no Brasil, sobretudo diante da crescente exposição dos jovens a essas práticas. Esse cenário é agravado pela influência da publicidade digital e pela fragilidade da política de proteção ao consumidor.

Primordialmente, é importante destacar que a promoção massiva das apostas por influenciadores digitais favorece a disseminação desse comportamento. Ao associar os jogos à ideia de enriquecimento fácil, essas personalidades minimizam os riscos envolvidos e estimulam o consumo. Soma-se isso a facilidade de acesso, basta um celular para apostar a qualquer hora. Segundo o Datafolha, 30% dos jovens de 16 a 24 anos já apostaram pela internet. Assim, o jogo se torna um hábito que ativa o sistema de recompensa do cérebro e favorece a compulsão.

Além disso, as consequências são graves e ultrapassam o plano individual. O comprometimento da saúde mental, o rompimento de vínculos familiares e o endividamento são alguns dos efeitos associados à dependência em jogos de azar. Dessa forma, a compulsão fere o direito à saúde e à dignidade, assegurados pela Constituição Federal.

Diante disso, cabe ao Ministério da Justiça, em parceria com o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (CONAR), regulamentar e fiscalizar a publicidade de apostas, proibindo a divulgação por influenciadores e o direcionamento aos menores, por meio de multas e suspensão de plataformas infratoras. Já o Ministério da Saúde deve ampliar o atendimento psicológico gratuito no SUS, com campanhas de conscientização nas redes sociais sobre o risco do jogo. Dessa forma, será possível proteger os brasileiros de uma doença silenciosa.