Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 19/10/2026

Em sua obra “modernidade líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade contemporânea vive a ilusão da satisfação instantânea. Tal perspectiva se materializa no Brasil atual com a explosão dos jogos de apostas on-line, as “bets”. Nesse contexto, é evidente que a dependência em apostas digitais é impulsionada pela publicidade enganosa e pela vulnerabilidade socioeconômica, gerando graves consequências de ordem financeira e psicossocial. Em primeiro lugar, vale ressaltar que o marketing predatório atua como principal causa da ludopatia. Conforme exposto no texto II, influenciadores digitais utilizam contas demonstrativas, nas quais é possível ganhar R$ 500 reais com facilidade, para criar uma falsa sensação de lucro. Ao prometer dinheiro fácil em um jogo com traços infantis, como o “jogo do tigrinho”, esses agentes exploram, subretudo, o público jovem e masculino-perfil que, segundo o DataFolha citado no texto I, representa 30% dos apostadores entre 16 e 24 anos. Assim, a falta de regulamentação de conar sobre a publicidade de bets transforma a influência digital em gatilho para o vício. Além disso, a própria arquitetura dos aplicativos potencializa a dependência. Como aponta o texto III, o vício em jogos não é novidade, mas a facilidade da plataforma na palma da mão fez o alcance entre jovens e adolescentes ser maior. A ciência explica: a libertação de dopamina a cada aposta cria um mecanismo de recompensa cerebral, no qual a adrenalina do ganho e da perda mantém o usuário preso ao ciclo durante a pandemia, somado ao desemprego, muitos viram nas apostas uma saída, o que justifica o dado da USP de que o país já possui dos milhões de viciados.