Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 19/10/2026
Nas últimas décadas, o avanço da tecnologia transformou a forma como os brasileiros se divertem e consomem. Nesse cenário, as apostas online, regulamentadas pela Lei n° 14.790/2023, popularizaram-se de maneira acelerada. Embora sejam apresentadas como entretenimento, elas têm alimentado um quadro de dependência reconhecido como transtorno pela Organização Mundial da Saúde. Assim, compreender as causas e as consequências desse fenômeno é indispensável para enfrentá-lo.
Em primeiro lugar, a dependência em apostas decorre da combinação entre o desenho viciante das plataformas e a lógica consumista da sociedade. Os aplicativos operam com recompensas imediatas, notificações constantes e a ilusão de que o ganho está sempre próximo, o que estimula a repetição compulsiva. Soma-se a isso a publicidade massiva, protagonizada por influenciadores digitais que associam a aposta a um caminho fácil para ascensão social. Esse contexto dialoga com o pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, para quem a “modernidade líquida” transforma o desejo de consumir em um fim em si mesmo, promovendo a busca incessante por satisfações rápidas. Dessa forma, o apostador, muitas vezes em situação de vulnerabilidade financeira, é induzido a ver o jogo como solução, e não como um risco.
Posteriormente, as consequências que atingem a sociedade economicamente, são o endividamento, que comprometem o orçamento das famílias, que deixam de pagar despesas básicas, para sustentar o vício. Tais efeitos contrariam o art. 196 da Constituição Federal, que garante que todo cidadão tem direito a saúde, mas uma vez que o vício se itencifica, sobrecarrega o sistema público de saúde.
Portanto, para mitigar os riscos dos jogos compulsivos, o Ministério da Fazenda deve restrigir a publicidade das apostas. Paralelamente, o Ministério da Saúde precisa ampliar o atendimento no CAPS, investindo em campanhas preventivas e na capacitação de profissinais. Essas ações conjuntas visam acolher os afetados e previnir o vício dos cidadãos.