Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 19/10/2026
O sociólogo Boaventura de Sousa Santos afirma que a sociedade vive uma “sociologia das ausências”,já que grupos que não se encaixam na racio-nalidade ocidental são invisibilizados. Nesse sentido, ao analisar o hodi-erno contexto brasileiro, é perceptível que os dependentes em jogos de apostas on-line são marcados por essa sociologia,já que o vicio testemunha um descaso social que dificulta a saúde mental e a autonomia. Por isso, urge discutir essa problemática, sustentada pela negligência estatal e pela omissão midiática.
Diante desse cenário, faz-se mister mencionar a ausência de regulação estatal como fator dessa estigmatização. Tal panorama encaixa-se no conce-ito de “necropolítica”, de Achille Mbembe, que explica o poder do Estado de decidir quem pode viver e quem deve morrer. O “deixar morrer” é visível na realidade de milhões de brasileiros viciados, haja vista da omis-são na efetivação da Lei 14.790/2023 e a falta de campanhas preventivas nas UBS para o transtorno do jogo patológico, reconhecido pela OMS. Consequenteme-nte, perpetua-se o endividamento, a depressão e o aumento de gastos públi-cos. Logo, é urgente reformular a postura estatal.
Outrossim, destaca-se a inexistência de abordagens midíaticas críticas como causa do imbróglio. Segundo Noam Chomsky, em “A fabricação do consen-timento”, a forma mais inteligente de manter pessoas passivas é limitar seu espectro de criticidade. Tal comportamento é visualizado na agenda mi-diática sobre apostas, marcada pela promoção do enriquecimento fácil por influenciadores, como no “Jogo do Tigrinho” e na Blaze, e pela não aborda-gem dos prejuízos. Por conseguinte, cria-se uma malha social que aliena o apostador, relegando-o à ilusão. Enquanto persistir essa exclusão crítica, não será possível atenuar o óbice.
Portanto, cabe ao Poder Executivo, via Ministério da Saúde e da Fazenda em parceria com o CREAS, criar apoio psicológico e campanhas nas UBS sobre os riscos das bets, fiscalizando anúncios. Além disso, a mídia deve expor os prejuízos do vício para combater a alienação.