Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 19/10/2026
Na contemporaneidade brasileira, a popularização massiva das apostas online fomenta uma crise de dependência. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, a busca por satisfação imediata aliena o indivíduo e mascara o sofrimento social. Esse quadro reflete a urgência da “ética da apreensão”, que exige acolher a vunerabilidade humana. Contudo, a lógica mercadológica atual subverte esse princípio. Desse modo, a publicidade abusiva e a omissão estatal perpetuam essa grave problemática.
Em primeira análise, a publicidade abusiva opera como o motor inicial do vício. Segundo o escritor brasileiro Ariano Suassuna, a injustiça secular dilacera o Brasil em dois fragmentos: o páis dos privilegiados e o dos despossuídos. Nesse viés, a atuação de influenciadores digitais ilustra essa divisão, visto que essa elite utiliza o privilégio para lucrar com a vunerabilidade popular. Ao ostentarem ganhos ilusórios, induzem os despossuídos a arriscar suas economias. Assim, o marketing agressivo perpetua a desigualdade e impulsiona a compulsão.
Ademais, a inércia estatal intensifica o cenário de dependência das apostas. Conforme o sociólogo Saint Simon, o Estado deve promover o bem-estar coletivo, preceito assegurado pela Constituição Federal de 1988, onde a dignidade do cidadão é um fundamento da República. Contudo, a falta de fiscalização rígida sobre as plataformas de jogos contradiz essas premissas. Essa passividade pública negligencia o vício como questão de saúde, desamparando os cidadãos. Logo, a omissão governamental perpetua o revés.
Portanto, diante do desamparo social gerado pelo vício de apostas, é tempo de combater esse problema. Assim, cabe ao Ministério da Saúde promover amplas campanhas de prevenção e expandir o amparo médico. Tal ação ocorrerá por meio de um Plano Nacional de Enfrentamento, o qual irá articular alertas de riscos de forma midiática e redes de apoio psicológico, a fim de mitigar essa compulsão. Afinal, conforme o Texto Constitucional, toda população merece ter a proteção da sua dignidade.