Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 19/10/2026

A popularização das “bets” no Brasil, como o jogo do tigrinho, evidencia um paradoxo da modernidade líquida de Bauman, onde a busca por satisfação imediata se sobrepõe à racionalidade. Fora de ficção, a tecnologia que deveria entreter tem gerado dependência patológica. Segundo o DataSenado de 2024, 22 milhões de brasileiros apostaram on-line, o que mostra que a ludopatia é fruto da falta de regulamentação e do marketing predatório.

Em primeiro plano, observa-se que a ausência de fiscalização rigorosa e de educação digital é causa central. Nesse sentido, plataformas utilizam algoritmos que estimulam a permanência do usuário e promessas de enriquecimento rápido, divulgadas por influenciadores, como visto no relato “conheci o jogo por um influencer”. A vulnerabilidade socioeconômica e a ilusão de controle fazem o indivíduo acreditar que pode prever resultados. Assim, conforme a OMS, o jogo patológico é um transtorno mental impulsionado por publicidade que o vende como lazer inofensivo.

Outrossim, os impactos são devastadores no âmbito individual e coletivo. Dessa forma, no plano financeiro, constata-se o superendividamento, com comprometimento de renda básica e aumento de práticas ilícitas para manter o vício. No âmbito da saúde, a dependência gera ansiedade, depressão é desestruturação familiar, visto que o apostador desenvolve tolerância e abstinência, típicas de dependência químicas. Dessa forma, perde-se o controle sobre o ato de apostar, comprometendo o convívio social e a produtividade.

Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias. Cabe ao Ministério da Fazenda fortalecer a Lei das Bets (Lei 14.790/23), por meio da Anatel, bloqueando sites ilegais e a publicidade com influenciadores, a fim de garantir segurança digital. Ao Ministério da Saúde, cabe oferecer apoio psicológico e campanhas sobre ludopatia nas escolas, visando promover a saúde mental.