Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 19/10/2026
A Constituição Federal de 1988 garante a todo cidadão o direito à saúde e à dignidade. Contudo, a realidade de milhares de brasileiros contrasta com esse ideal, pois a dependência em apostas on-line cresce de forma alarmante no país. Esse problema decorre, sobretudo, da propaganda enganosa de influenciadores e dos mecanismos de recompensa do cérebro, o que gera graves prejuízos individuais e sociais.
Em primeira análise, a divulgação feita por influenciadores digitais é uma das principais causas desse cenário. Conforme o texto 2, contas demonstrativas simulam ganhos fáceis para atrair novos jogadores. Dessa forma, o público é seduzido por uma falsa ilusão de lucro. Nesse sentido, o filósofo Guy Debord, em “A Sociedade do Espetáculo”, afirma que a aparência vale mais do que a realidade. Assim, o seguidor consome a imagem de sucesso exibida nas redes sem perceber o risco por trás dela. Soma-se a isso a facilidade de acesso, já que a plataforma está na palma da mão, o que amplia o alcance entre jovens e adolescentes, grupos mais vulneráveis a esse tipo de estímulo.
Além disso, a dependência tem origem também em fatores biológicos. De acordo com o texto 3, a liberação de dopamina reforça a compulsão e diminui o medo de errar. Com isso, o apostador busca a adrenalina tanto na vitória quanto na derrota, o que caracteriza a ludopatia. Como consequência, os danos são profundos: dívidas, rompimento de laços familiares, queda de rendimento no trabalho e sofrimento psíquico, como relatam os participantes do grupo Jogadores Anônimos. Segundo a USP, o país já soma cerca de dois milhões de viciados, o que sobrecarrega o sistema de saúde e fere a dignidade humana.
Portanto, são necessárias medidas contra esse problema. O Ministério da Justiça deve punir influenciadores que façam propaganda enganosa, por meio de multas e bloqueio de perfis, a fim de coibir falsas promessas de lucro. Ademais, o Ministério da Saúde deve ampliar o atendimento nos CAPS e promover campanhas educativas nas escolas e redes sociais.