Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 19/10/2026
No romance “O Jogador”, de Fiódor Dostoiévski, o protagonista sucumbe à obsessão pelo jogo na esperança de riqueza imediata, culminando no seu colapso financeiro e emocional. Na contemporaneidade, essa dinâmica ganha contornos alarmantes no Brasil com o avanço das apostas on-line (“bets”). Nesse contexto, a dependência nesses jogos surge como grave problema socioeconómico, impulsionado pela publicidade predatória e por sérios impactos na saúde mental e nas finanças das famílias.
Em primeiro lugar, o marketing agressivo desempenha papel central no estímulo ao vício. Segundo Zygmunt Bauman, a sociedade de consumo busca constantemente recompensas instantâneas. Alinhados a isso, influencers utilizam contas demonstrativas falsas para simular ganhos fáceis e induzir seguidores jovens a apostarem em plataformas ilegais. Essa facilidade de acesso via smartphone estimula o gatilho dopaminérgico do risco, convertendo o entretenimento em ludopatia.
Ademais, os impactos da ludopatia fragilizam o tecido social e familiar. Conforme a Teoria da Ação Comunicativa de Habermas, o diálogo é a base das relações interpessoais; contudo, a crise financeira compromete essa coesão. O endividamento com agiotas e o não cumprimento de deveres básicos geram ansiedade, ruturas familiares e episódios de ideação suicida, configurando uma emergente crise de saúde pública.
Infere-se, portanto, a urgência de combater esse impasse. Para tanto, o Governo Federal, via Ministério da Fazenda e Ministério da Saúde, deve reestruturar a fiscalização das casas de apostas e expandedir o atendimento do SUS a ludopatas. Essa ação ocorrerá por meio de sanções rigorosas e bloqueio de redes de influenciadores fraudulentos, além de campanhas de educação financeira do MEC nas escolas. Assim, o país distanciará sua realidade do trágico enredo de Dostoiévski.