Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 19/10/2026
Na série “Round 6”, da Netflix pessoas endividadas arriscam a vida em jogos por dinheiro,cegas pela promessa de fortuna. Fora da ficção,a realidade brasileira é semelhante: milhões se tornam dependentes das “bets”, plataformas de apostas online. Esse vício, embora tratado como entretenimento,gera graves impactos mentais e sociais, impulsionado pela falta de regulação e pela publicidade predatória.
Em primeiro lugar,a omissão do Estado é causa central. Segundo John Locke, cabe ao governo garantir o bem-estar social. No entanto, a liberação das apostas em 2018 sem uma regulação forte da propaganda permitiu que empresas explorassem livremente os cidadãos. Algoritmos criam a chamada “ilusão de controle”, fazendo o apontador acreditar que domina o jogo, enquanto perde cada vez mais. Sem fiscalização eficaz o usuário fica desprotegido.
Além disso, a publicidade abusiva normaliza o vício. Conforme Zygmunt Bauman, na modernidade líquida, o desejo é fabricado.
Influenciadores mostram ganhos falsos, ostentando carros e dinheiro, como se apostar fosse trabalho. Isso atinge principalmente os jovens de baixa renda que sonham com ascensão rápida. O resultado é o endividamento, o comprometimento do salário para pagar apostas, a depressão e o rompimento de laços familiares.
Portanto, é urgente agir. O governo federal deve, por meio da CONAR e do Ministério da Fazenda, proibir que influenciadores divulgam bets como fonte de renda e limitar anúncios no horário nobre, além de obrigar as plataformas a exigirem alerta sobre o vício. O Ministério da Saúde deve ampliar CAPS para tratar ludopatia. Assim, como em Round 6,o jogo deixará de custar vidas.