Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 19/10/2026

Na obra “Por uma outra globalização”, o geógrafo baiano Milton Santos discute como o avanço técnico, científico, informacional transformou o cotidiano, mas também aprofundou as vulnerabilidades sociais devido ao consumo desenfreado. Fora da teoria, essa realidade se materializa no Brasil contemporâneo com a explosão das plataformas de apostas on-line, cubos aplicativos na palma da mão democratizar o acesso à ludopatia. Desse modo, torna-se imperativo analisar o cenário atual, o qual é impulsionado tanto pela publicidade abusiva de influenciadores digitais quanto pela busca ilusória por renda, resultando na destruição patrimonial e no colapso da saúde mental dos cidadãos.

Em primeira análise, cabe pontuar que a máquina publicitária nas redes sociais atua como o principal gatilho para o crescimento do vício. Conforme investigações polícias, criadores de conteúdo utilizam “contas de demonstração” manipuladas para simular ganhos fáceis e induzir seguidores ao erro. Essa dinâmica é agravada pela estética colorida e infantilizada de jogos como o “tigrinho”, que operam como caça níqueis digitais disfarçados de entretenimento inofensivo. Aliado a isso, o desemprego e a vulnerabilidade econômica empurram indivíduos a enxergaram nas “bets” uma saída financeira rápida, caindo em uma armadilha mercadológica que passa a consumir cerca de 20% do salário mínimo do trabalhador médio.

Como consequência, a dependência em jogos gera um adoecimento biológico através da liberação desregulada de dopamina, o que anula o medo do erro. Segundo a USP, o país já soma quase dois milhões de viciados, sobrecarregando o SUS e destruindo o patrimônio e integridade das famílias.

Portanto o ministério da Fazenda deve banir propagandas de jogos digitais feitas por influenciadores com contas simuladas. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde o atendimento a ludopatia no SUS, usando os impostos das “bets” para criar clínicas psiquiatricas especializadas. Assim, mitiga-se essa vulnerabilidade social.