Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 19/10/2026
´´O homem é o lobo do homem´´, afirmava Thomas Hobbes. Em ´´O Senhor das Moscas´´, de Willian Golding, essa lógica se concretiza: sem a tutela dos adultos, os jovens perseguem o mais frágil e destroem a própria ilha. Fora da ficção, o Brasil reproduz esse cenário na dependência de apostas online, já que o Estado falha em fiscalizar o mercado de apostas e a sociedade se cala diante do endividamento e do adoecimento dos apostadores.
Em primeiro plano, a inércia estatal agrava a dependência de apostas online. Nesse prisma, em ´´O Príncipe´´, Maquiavel postula que o governante prioriza a manutenção do poder em detrimento do bem comum. Sob essa édige, o Estado negliência o apostador, como evidência a Lei 14.790/2023, que regulamentou as bets, mas pouco conteve a publicidade abusiva. Isso ocorre porque as empresas geram arrecadação e influência, enquanto o endividado não tem poder de pressão sobre o governo. Por conseguinte, o poder público condena famílias ao endividamento.
Em segundo plano, a omissão da sociedade perpetua o problema. Nesse sentido, a fílosofa Hannah Arendt em sua teoria da ´´Banalidade do Mal´´, defende que a sociedade que se cala diante de injustiças acaba por neutralizá-las. Sob essa ótica, muitos veem a compulsão por apostas como falha de caráter e aceitam a divulgação de jogos por influênciadores sem questionamento. Dessa forma, a falta de cobrança reduz a pressão sobre o governo, e os apostadores seguem sem tratamento.
Diante do exposto, denota-se a urgência de propostas que rompam a lógica do ´´o homem é o lobo do homem´´. Portanto, o Estado deve restringir a publicidade de apostas, por meio de fiscalização do Ministério da Fazenda e de multas às plataformas, que a verba oriunda da tributação do setor, a fim de que, ao contrário de o ´´Senhor das Moscas´´, a proteção à saúde financeira e mental alcance todos os brasileiros.