Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 19/10/2026

Na série “Black Mirror”, são retratados os impactos da tecnologia sobre o comportamento humano, evidenciando como ambientes digitais podem influenciar escolhas individuais. Fora da ficção, essa problemática manifesta-se na expansão das apostas on-line no Brasil, impulsionada pela facilidade de acesso ás plataformas e pela ampla divulgação nas redes sociais. Nesse cenário, a promessa de ganhos rápidos atrai usuários e pode estimular práticas compulsivas. Assim, a publicidade persuasiva e a insuficiência de medidas preventivas configuram fatores que agravam a dependência e seus impactos sociais.

Em primeiro lugar, a publicidade digital estimula apostas frequentes. Isso ocorre porque influenciadores apresentam esses jogos como meios de enriquecimento, omitindo os riscos. Essa realidade relaciona-se às ideias de Manuel Castells sobre a sociedade em rede, na qual as informações influenciam comportamentos. Assim, promessas de lucro criam faltas expectativas e levam apostadores a insistirem nas jogadas para recuperar perdas, aumentando o risco de endividamento e dependência. Além disso, a facilidade de acesso ás plataformas favorece a repetição desse comportamento, dificultando o reconhecimento dos próprios limites.

Ademais, a falta de prevenção agrava o problema. Em “O Cidadão de Papel”, Gilberto Dimenstein critica a distância entre direitos garantidos e sua efetivação. De modo semelhante, a proteção à sáude é prejudicada pela falta de orientação e apoio especializado. Sem reconhecer os sinais do vicio ou encontrar ajuda, os apostadores podem prolongar o comportamento compulsivo e sofrer prejuízos financeiros e familiares.

Portanto, o Governo Federal, por meio do Ministério da Fazenda, deve fiscalizar as publicidades de apostas, exigindo alertas sobre os riscos financeiros e punindo anunciadores irregulares. Além disso, o Ministério da Sáude deve promover campanhas educativas nas escolas e nas redes sociais de atendimento psicológico. Assim será possível previnir o vício e reduzir seus impactos sociais.