Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 19/10/2026

No intervalo do futebol, no feed do celular, no anuncio que antecede o vídeo: as apostas online se infiltraram na rotina do brasileiro, sobretudo do mais jovem. Influenciadores exibem ganhos, plataformas prometem enriquecimento rápido e,atrás desse brilho, cresce um contingente de pessoas que perderam o controle sobre o próprio dinheiro. Mais que passatempo, a dependência em jogos de azar virou questão social, com efeitos na vida financeira, emocional e familiar.

Em primeiro lugar, o combustível desse avanço é a ilusão de que a ascensão social não exige anos de estudo ou trabalho, mas um clique de sorte. Num país desigual, quem convive com salário apertado vê na aposta um atalho sedutor. A publicidade reforça isso, quando um famoso diz que " está lucrando", o risco passa a parecer inteligência. Prova disso é que a regulamentação das apostas de quota fixa, feita em 2023, veio depois do mercado já ter multiplicado, a lei ocorreu atrás de um fenômeno há muito instalado.

Como consequência, endividamento, conflitos familiares, ansiedade e isolamento tornaram-se rotina. O mecanismo é muito perverso, o ganho ocasional funciona como recompensa intermitente, a mesma que prende o jogador e a perda empurra para a rodada seguinte, na tentativa de recuperar o que foi embora. O que aprisiona já não é o dinheiro, mas a esperança de recuperar o prejuízo. Nas famílias de renda baixa, o salário de uma semana pode desaparecer em uma noite.

Diante disso, enfrentar esse cenário exige mais do que culpar o indivíduo por sua indisciplina. Cabe ao Governo federal, com escolas e meios de comunicação, promover campanhas de educação financeira que expliquem, em linguagem acessível, como as apostas realmente funcionam. Também é urgente fiscalizar a publicidade voltada ao público jovem, exigindo avisos claros sobre os risco, como já se faz com o cigarro. Por fim, é preciso ampliar o atendimento psicológico gratuito, via atenção básica e CAPS, para quem já desenvolveu dependência.