Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 20/10/2026

A Constituição Federal de 1988 assegura, em seu artigo 6º, a saúde como um direito social de todos os brasileiros. Entretanto, essa garantia

vem sendo ameaçada pelo crescimento da dependência em jogos de apostas on-line, as chamadas “bets”, que hoje estão presentes desde as redes sociais até as camisas dos times de futebol. Desse modo, esse cenário decorre da propaganda enganosa de influenciadores e provoca adoecimento mental e dívidas.

Em primeiro lugar, a publicidade é decisiva para o vício. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, vive-se uma “modernidade líquida”, marcada pela busca de satisfação imediata. Nesse sentido, as casas de apostas exploram esse desejo ao prometer dinheiro rápido, e os influenciadores reforçam a ilusão; conforme investigação da polícia de Maceió, muitos usavam contas de demonstração, nas quais ganhar era fácil, para atrair seguidores. Além disso, cada vitória libera dopamina, o que estimula o jogador a continuar mesmo após perder. Assim,jovens sem estabilidade financeira veem nas apostas uma saída, sem perceber que a banca sempre ganha.

Diante desse cenário, os danos ultrapassaram a esfera individual. Análogo a isso, a Organização Mundial da Saúde reconhece o transtorno do jogo como doença, e um levantamento da USP estima cerca de dois milhões de dependentes no Brasil. Na prática, isso gera dívidas com agiotas, perda de empregos, afastamento da família e, nos casos graves, tentativas de suicídio. Ademais, o atendimento especializado na rede pública ainda é escasso, o que deixa muitos apostadores sem tratamento e contraria o dever do Estado previsto na Constituição.

Portanto, o Ministério da Fazenda deve proibir a divulgaçaõ de “bets” por influenciadores, por meio de fiscalização com as redes sociais e multas a quem exibir ganhos falsos, a fim de reduzir o aliciamento de jogadores. Paralelamente, o Ministério da Saúde precisa ampliar o tratamento nos CAPS, com psicólogos capacitados, para acolher os dependentes. Assim, o direito à saúde deixará de ser só promessa.