Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 20/10/2026

A internet trouxe muitas faculdades para o dia a dia, mas também transformou o celular em um cassino irrestrito. No Brasil, a população das “beta”, como o “Jogo do Tigrinho”, fez crescer o número de pessoas que buscam nesses jogos uma renda extra. O problema fácil, amplamente divulgada por influenciadores digitais, oculta os riscos da prática. Por isso, a dependência em apostas se tornou uma preocupação de saúde política, sobretudo pelos danos financeiros e familiares que provoca.

Em primeiro lugar, a falta de informação é instrumentalizasa pelo mercado. Como revelou a investigação da Delegacia de Estelionatos de Maceió, influenciadores utilizam uma “conta demo” onde se ganha com facilidade para atrair seguidores omitindo as perdas reais. Essa propaganda, celular, atinge principalmente jovens de 16 a 24 anos segundo o Datafolha, que passam a acreditar que terão os mesmos resultados. Quando começam a perder, instaura-se o mecanismo descrito pela neurociência: a busca por recuperar o prejuízo libera dopamina e mantém o jogador preso ao ciclo, mesmo consciente do dano.

Além disso, o vício extrapola o indivíduo. O dinheiro gasto nas plataformas, que chega a comprometer 20% do salário mínimo de apostadores, como aponta o TEXTO 1, faz falta dentro de casa, gerando dívidas, agiotagem e discussões entre familiares. Em algumas situações, como no caso de uma de 27 anos, relatado pelo Fantástico, o jogador perde inclusive o contato com os filhos para continuar apostando. Esse comportamento provoca sofrimento emocional, ansiedade e, em casos extremos, ideação suicida, demonstrando que o jogo deixa de ser lazer e se torna fator de desintegração familiar.

Portanto, tratar a dependência em apostas apenas como escolha individual é ignorar sua dimensão estrutural. Enquanto o lucro das casas de aposta for sustentado pela ilusão e pela desinformação, a busca por dinheiro fácil continuará transformando a promessa de entretenimento em um problema que corrói a renda e os laços afetivos do brasileiro.