Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 29/10/2024

A saga de livro “Os Ravenels”, da autora Lisa Keyplas, retrata a sociedade há alguns séculos e nela são citadas situações onde antigos nobres perderam tudo por vício em apostas e jogos de azar. Analogamente, nos dias atuais, com o avanço inegável da tecnologia, esse tipo de jogo se expandiu e se tornou até mesmo mais “acessível” para parte da população que antes não conseguia ir até casas de azar ou cassinos e agora tem a aposta no aparelho telefônico. Dessa forma, o silenciamento midiático e negligência governamental acerca do tema agravam ainda mais os problemas de vício causados pelos jogos.

Primeiramente, como aponta o pensador Pierre Bordieu, algo que foi criado para garantir a democracia não deve ser convertido em um instrumento de opressão, assim sendo, a mídia tem o dever moral de garantir que os cidadãos recebam aquilo que lhes é seguro e apropriado. Porém, ao passo que a divulgação desse tipo de jogo cresce cada vez mais, é fato que muitos veículos têm ido contra esses princípios dispersando informações persuasivas que possuem o poder de prejudicar um indivíduo, como a promessa de que mudarão de estilo de vida, ou praticando o silêncio e omissão dos fatos e realidade, perante ao desejo de não ser prejudicado por uma espécie de mercado que tem crescido tanto no país.

Além do exposto, segundo Rousseau, o Contrato Social obriga o Estado a garantir o bem-estar da Nação. Entretanto, ao negligenciar a gravidade dos vícios em casas de aposta on-line, o Estado rompe com essa função e apresenta falhas na garantia de direitos essenciais. Dessa maneira, por ser uma prática relativamente nova, o Governo ainda não promoveu ações o suficiente que erradiquem os malefícios provocados por essa prática, o que faz com que inúmeras pessoas tenham prejuízos por falta de inspeção em relação as empresas organizadoras, o que vai totalmente contra a ideia principal de Rousseau.

Portanto, urge-se a necessidade do Ministério da Justiça, órgão que administra a justiça no país, aumentar a fiscalização em relação as leis já existentes e criar um novo estatuto que regulamente essas práticas. Além disso, é necessário conscientizar a população acerca dos riscos desses atos, por meio de campanhas e folhetins, com a finalidade de evitar mais cidadãos viciados em jogos de azar.