Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 31/10/2024
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a ludopatia, transtorno do vício em jogos, como uma doença caracterizada pelo desejo incontrolável de continuar jogando. Nessa linha, o sociólogo Zygmunt Bauman, ao apresentar seu conceito de “sociedade líquida”, afirma que, em uma sociedade onde as relações são efêmeras e as recompensas instantâneas são valorizadas, o risco de desenvolver dependências, como a de jogos de aposta, aumenta, pois eles oferecem uma fuga rápida da realidade e recompensas imediatas. Dessa forma, é necessário adotar medidas para prevenir essa dependência em jogos on-line.
A princípio, é fundamental ficarmos atentos a qualquer sinal de vício, especialmente em um contexto de sociedade digitalizada, como Nicholas Carr destaca em The Shallows. A valorização de gratificações imediatas faz com que pessoas, principalmente jovens, fiquem mais suscetíveis a comportamentos compulsivos, já que atividades como os jogos de azar online oferecem recompensas rápidas e momentâneas. Esse ciclo de estímulo-recompensa reforça a prática de apostar, pois o cérebro começa a buscar, quase que automaticamente, essa sensação de prazer e satisfação. Com o tempo, isso pode prejudicar a capacidade de adiar a satisfação, impactando áreas importantes da vida, como relações sociais e produtividade no trabalho ou estudos. Em última análise, a dependência em jogos online acaba reforçando um padrão que enfraquece o autocontrole e pode levar a consequências psicológicas e financeiras severas.
Ademais, as consequências da dependência em jogos de azar são graves, como falência, endividamento, ansiedade e estresse. Em O Jogador, de Dostoiévski, o autor explora a obsessão e as consequências devastadoras de uma vida entregue ao jogo, onde a falta de controle pode levar até à morte. Assim, mesmo ciente dos males, o dependente sente-se incapaz de parar, preso em um ciclo destrutivo.
Portanto, a obsessão por jogos de aposta é uma realidade preocupante no Brasil. O governo federal deve implementar campanhas de conscientização e palestras em várias regiões e nas redes sociais, visando atingir diferentes públicos. Assim, o país poderá mitigar os impactos dessa dependência, distanciando-se da fragilidade das relações humanas descrita por Bauman.