Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line

Enviada em 31/10/2024

No final do século XX, com a promulgação da Constituição de 1988, o Brasil reafirmou o compromisso com a educação como um direito fundamental, estabelecendo diretrizes que transformaram o acesso e a qualidade do ensino no país. Entretanto, ainda é possível notar substancial parcela da sociedade leiga no que tange a educação financeira e sua importância perante os riscos associados aos jogos de apostas online. Nesse contexto, esse cenário nefasto ocorre não só em razão da falta de regulamentação e fiscalização dos sites de aposta, mas também pela ausência de educação financeira presente no dia a dia do brasileiro.

Deve-se pontuar, de início, a influência do Estado- e de suas responsabilidades- na fiscalização de práticas abusivas nas mesas virtuais de aposta. De acordo com Zygmunt Bauman, crítico da modernidade líquida, as instituições governamentais - configuradas como zumbis - perderam suas funções sociais, todavia, tentam mantê-las a todo custo. Essas instituições, ineficazes em promoverem políticas de fiscalização que criem ambientes seguros ao consumidor de tais conteúdos, na prática, perpetuam falhas que facilitam e propiciam a prática de golpes.

Ressalta-se, ademais, a falta de criticidade e base analítica- provinda da educação financeira- a respeito das possíveis consequências no investimento de tais jogos. Segundo Paulo Freire, a educação é o caminho da liberdade e o despertar da criticidade, além de garantir autonomia social e consciência de classe. No entanto, sem uma base de educação crítica e analítica, é mais fácil para alguém se deixar levar pelas estratégias de marketing e por promessas ilusórias de ganhos dos sites de apostas, o que pode influenciar decisões à perda de dinheiro.

Evidencia-se, portanto, a persistência de obstáculos estruturais no decorrer da dependência dos consumidores de jogos de apostas online. Nesse âmbito, compete ao Ministério da Educação fomentar a análise crítica de propagandas de apostas, por meio de programas educacionais voltados à educação financeira e, com intuito de ajudar os cidadãos a desenvolver habilidades de tomada de decisão. Além disso, as redes sociais devem ajustar os algoritmos de recomendação de conteúdos relacionados a apostas, a partir de sistemas de análises das publicações, com intuito de filtrar e associar alertas de riscos para o usuário.