Causas e consequências da dependência em jogos de apostas on-line
Enviada em 08/07/2025
Por meio do seu livro “Brasil, país do futuro”, o escritor Stefan Zweig expressou a sua confiança de que a nação cresceria e se desenvolveria exponencialmente. En-tretanto, nos dias atuais, a sociedade brasileira vivencia uma situação inversa, uma vez que o aumento de apostadores em “bets” tem consequências que impactam na saúde mental e social, no qual resulta na queda dessa visão otimista. Nesse sen-tido, tanto as configurações das plataformas quanto os influenciadores digitais são catalizadores do problema.
Em primeiro plano, é importante destacar que o modelo dos Jogos de apostas online são programados para aumentar o vício dos usuários. Isso ocorre porque, esses softwares ativam, a cada partida, um mecanismo de recompensa no cérebro do indivíduo. Sob esse ponto de vista, segundo Drauzio Varella, a recompensa está interligada aos níveis de dopamina cuja liberação é a partir de estímulos rápidos. Contudo, as plataformas utilizam diversos artifícios para manter o pico elevado desse neurotrasmissor como, por exemplo, cores vibrantes, efeitos sonoros e, até mesmo, ganhos iniciais. Em consequência, quando os jogadores perdem, eles são expostos à frustração, o que desencadeia gatilhos emocionais de transtorno de ansiedade e, em casos mais graves, pensamentos suicidas.
Ademais, é válido ressaltar que os influenciadores digitais potencializam a dependência dos cidadãos em sites de aposta. Essa situação se deve, sobretudo, ao fato de que muitos deles promovem ganhos ilusórios com postagens de contas demo, ou seja, perfis criados somente para apresentar lucros extraordinários. Tal prática remete à reflexão de Steve Jobs, de que a tecnologia move o mundo para bem ou para o mal e, neste caso, a alienação premeditada nos jogos de azar atinge uma grande parcela da população, condicionando-a à ideia de sempre obter altas quantias de dinheiro. Além disso, segundo dados da Universidade de São Paulo, cerca de mais de um milhão de brasileiros já apostam desde o surgimento dessa “febre” nas redes sociais, o que mostra a necessidade de fortalecer a fiscalização nessas mídias.