Causas e consequências da estiagem e da seca no Brasil

Enviada em 19/08/2025

Na obra “O Constitucionalismo Brasileiro Tardio”, o escritor Manuel Jorge constata que a ausência de cultura constitucional conduz à ineficácia social dos textos constitucionais. Para o autor, o Brasil é estruturado formalmente pela Constituição Federal; todavia, na prática, os direitos por ela garantidos não se encontram efetivados. Nesse sentido, esse cenário é presente na realidade brasileira, visto que o agravamento da estiagem e da seca no Brasil é circunstância impeditiva da efetividade dos textos da Carta Magna. Esse quadro nefasto ocorre não só em razão da negligência governamental, mas também da indiferença da sociedade.

Percebe-se, a princípio, que a débil ação do Poder Público possui íntima relação com o revés. Diante dessa conjuntura, segundo o filósofo contratualista Thomas Hobbes, o Estado deve atuar para materializar as normas da sociedade na qual ele está inserido. Nesse viés, o equívoco eclode no erro de se acreditar que tal premissa é assegurada com eficiência em todos os segmentos do corpo socia Nessa lógica, essa insuficiência do aparato institucional na vigilância do desmatamento acarretam no aumento de períodosde secas e diminuição da produtividade da colheita. Logo, torna-se substancial a mudança desse quadro.

Ressalta-se, ademais, que a impassibilidade social contribui para a persistência da

expansão de períodos com solos secos e inférteis. Nesse contexto, o intitulado “Paradoxo da Moral” é um livro escrito pelo filósofo francês Vladimir Jankélévitch para exemplificar a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade das pessoas frente aos impasses enfrentados pelo próximo. Analogamente, percebe-se que a elevação da fase de estiagem e seca encontra um forte alicerce na estagnação social. Essa situação ocorre porque, infelizmente, a sociedade não se movimenta em prol da erradicação dessa problemática; pelo contrário, adquire uma posição individualista. Nessa perspectiva, a mudança do comportamento social é vital para superar esse paradigma.