Causas e consequências da estiagem e da seca no Brasil
Enviada em 30/08/2025
Na minissérie “Os quinze”, de Jurandir Oliveira, é retratado a história da família de Chico Bento, um homem que resiste em abandonar sua terra e seu rebanho quando a seca vem chegando e então passa a enfrentrar dias desumanos na busca da sobrevivência. Nesse sentido, fora da ficção, esse é apenas um caso representativo da realidade brasileira, a qual a população sofre com a desumanização causada pela estiagem e a seca. Diante disso, torna-se imprescindível analisar o influenciador desse caso, como a exploração desenfreada da natureza e seus resultados na fome e sede das famílias.
Em primeira análise, é indiscutível que o ser humano vê a natureza como um recurso a ser explorado. Nessa perspectiva, a obra “Ideias para adiar o fim do mundo”, de Ailton Krenak, relata como os indivíduos estão em desconexão com o meio ambiente, agindo como se fossem entidades superiores com poder de tratá-lo como bem entenderem. Entretanto, esse tipo de pensamento atual já mostra seus resultados, o desmatamento junto às queimadas provoca um desequilíbrio no ciclo hidrológico causando períodos de estiagem e seca. Assim, famílias como a de Chico Bento perdem seus rebanhos, plantações e muitas vezes sua única forma de alimentar-se ou sobreviver ficando em miséria.
Ademais, é válido salientar como essa situação impacta todo o país. Como prova disso, segundo a ONU, de 1998 a 2017 a seca afetou mais de 1,5 bilhões de pessoas globalmente, causando prejuízos estimados em R$124 bilhões. Por conseguinte, esse cenário demonstra ter o poder de afetar toda a economia do país além dos bilhões de seres humanos com a fome e sede - pela não resiliência da sua agricultura familiar diante a período prolongado sem chuvas.
Destarte, cabe ao Ministério do Meio Ambiente junto ao Poder Judiciário, não apenas propor mas também garantir a implementação de um sistema de sustentabilidade no qual empresas e indústrias que efetuarem queimadas e desmatamentos terem que repor o mesmo número de arborização anterior dentro de um período de um ano, por meio do replantio a fim de equilibrar o prejuízo a esse meio por eles causados. Nesse viés, o ciclo da água poderá ser menos afetado reduzindo as temporadas de estiagem e seca no país.