Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 12/08/2019
“Uma torcida inspira o destino da batalha pela força dos sentimentos”. A frase é do escritor Nelson Rodrigues, destacando o poder da emoção para o esporte. Todavia, no que se refere aos estádios brasileiros, é cada vez mais comum que tal ânimo seja expresso por meio de atitudes violentas, refletidas não só por agressões físicas, como também pelo discurso de ódio. Nesse aspecto, em um contexto em que o individualismo predomina sobre o homem, a insuficiência da esfera pública cataliza a quebra dos reais conceitos de esporte, que, neste cenário, surge como um dos menores efeitos.
A priori, é válido entender que a violência no esporte deve-se tanto ao comportamento humano, quanto à má gestão da esfera governamental. Na era da pós-modernidade em que o individualismo e a fluidez das relações se sobressaem, é comum que os indivíduos se tornem egoístas e imediatistas, agindo por impulso e descomprometidos com o próximo. Dessa forma, atitudes como xingamentos e confrontos entre torcidas organizadas demonstram a intolerância e a “selvageria” entre as pessoas, o que comprova a ideia de que, de fato, o homem é o lobo do homem, proposta pelo filósofo Thomas Hobbes. Diante disso, a falta de leis específicas, a insuficiência de profissionais de segurança nos eventos esportivos e o despreparo organizacional refletem a falta de políticas públicas específicas. Logo, é evidente que tais comportamentos são capazes de gerar graves efeitos.
Dentre outras consequências, a anulação do conceito de esporte é a que mais se destaca. Práticas que, em seus sentidos originais, remetem saúde, cooperação e emoção passam a ser sinônimo de insegurança e de multidões enfurecidas agindo violentamente. Sabe-se, porém, que essa negação é apenas o início de uma variedade de casos que, na maioria das vezes são letais. A exemplo disso, o jornal El País revela que só em 2017 forma registrados 104 episódios violentos nos estádios de futebol, dentre os quais ocorreram 11 mortes de torcedores. Com isso, percebe-se a gravidade dos efeitos e a urgência de medidas que modifiquem essa conjuntura.
De modo exposto, é notório que o comportamento das pessoas e a inércia do Estado fomentam as manifestações violentas presentes no esporte. Para transformar essa situação, é necessário que o Poder Legislativo aprimore a legislação vigente, mediante a implantação de penas peculiares para esse tipo de agressões e a criação de projetos de prevenção, a fim de evitar brigas e ofensas nos estádios e ginásios. Ademais, é importante que as ONGs, em parceria com o Ministério da Cultura, tentem desconstruir a conduta individualista e intolerante dos indivíduos, por meio de campanhas televisivas e de redes sociais, no intuito de conscientizar os torcedores e mostrá-los que o esporte é sinônimo de cooperação e união.