Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 06/05/2019
“No Brasil subtrai-se; somar, ninguém soma”- afirmava o escritor pré-modernista Monteiro Lobato a respeito da consciência individualista nacional. Esse país desde sua colonização vive um cenário de violências e conflitos. A sociedade vê as opiniões diferentes como um insulto e acabam cometendo violência física e verbal. Além disso, a internet, com as redes sociais, virou um local de debates intolerantes, onde se encontram um grande número de vítimas.
Não há dúvidas de que a violência no esporte advém de uma face da sociedade que engloba a violência no cotidiano. O esporte que, em tese, deveria depurar a violência, passou a ser a própria forma de manifestação desse fenômeno. De acordo com Paulo Freire, filósofo brasileiro, em seu livro “Pedagogia do Oprimido” amplia seu olhar sobre a paz, ligando-a a possibilidades de ação e de diálogo, que constrói e reconstrói o sujeito, pois ao expressar-se por meio da palavra, o indivíduo cria/recria o mundo. Ademais, a segurança nesses lugares é ineficaz e a impunidade dessas ações hostis favorece o contínuo desrespeito àqueles que vão apenas para apreciar as partidas e, até mesmo, inverte a visão do esporte como método de inclusão social, defendida pelos próprios clubes.
O Bullying no esporte tomou proporções enormes, principalmente com o advento da internet, na qual manifestar-se contra ou à favor de um determinado time é “pôr lenha na fogueira”. A internet é um meio rápido e fácil para indivíduos executarem o discurso de ódio. Consoante ao pensamento de Sartre, filósofo francês, “A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota.” Esporte remete-nos à desafio, time, grupo, habilidades, talento, irmandade, dedicação, saúde, e mais uma porção de ideias que deveriam unir, ao invés de separar. Mas o que se vê são torcedores e jogadores de grupos rivais que buscam não somente ganhar, mas humilhar o adversário, seja no campo, nas arquibancadas, nas ruas ou até mesmo na internet.
Destarte, é indiscutível que medidas são necessárias para solucionar o impasse. Assim, o chefe do executivo deve criar um decreto que garanta a segurança dos torcedores dentro do estádio, para que grupos familiares também possam frequentar o local, com uma fiscalização mais rígida para identificar o agressor. Além disso, o Ministério da Justiça junto com o Ministério da Educação, devem promover, nas escolas, por meio de eventos interdisciplinares e explorando temas transversais, palestras com especialistas na área do esporte, tecnologia e direitos humanos para orientar e capacitar a população contra essa crime que se expande pela internet. Só assim os brasileiros aprenderão, também, a somar.