Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 05/05/2019
A Copa do Mundo de Rugby, no ano de 1995 na África do Sul, marcou um momento histórico de reaproximação entre brancos e negros, que por muito tempo foi assolada pelo Apartheid -regime de segregação racial. No Brasil hodierno, entretanto, essa relação esportiva amistosa não é verificada, haja vista a incapacidade do Estado em combater a violência nos eventos, o que se deve não só pelo nefasto comportamento intolerante do brasileiro, mas também pela negligência governamental.Nesse contexto, reverter essa situação problemática é imprescindível para mitigar um dos maiores reflexos danosos para a sociedade: o cerceamento do direito ao lazer e à segurança.
A princípio, é essencial desconstruir a cultura de violência existente no país. Acerca dessa lógica, Sérgio Buarque de Holanda, na obra “Raízes do Brasil”, utiliza-se da expressão “homem cordial” para designar o modo passional com que o brasileiro tende a lidar com as suas relações interpessoais. Sob esse viés, no âmbito do esporte, sobretudo no futebol, a tese do historiador pode ser ratificada, na medida em que uma parcela pequena parcela das torcidas organizadas deixa a racionalidade de lado e passam a ver o adversário como um inimigo a ser eliminado -literalmente. Por conseguinte, a beleza dos jogos é ofuscada por episódios de barbárie, que, muitas vezes, ceifam vidas e anulam a liberdade daqueles que buscam usufruir do seu legítimo direito ao entretenimento.
De outra parte, a inoperância estatal também contribui para a permanência desse quadro problemático. Com efeito, isso fica evidente pela carência de políticas públicas nacionais preventivas da violência no esporte, restringindo-se a atuação na reação a eventuais casos. Quanto a essa questão, diferente da Inglaterra, que, já em meados da década de 1990, conseguiu diminuir a violência nos estádios com a cooperação entre clubes esportivos e a Gestão Governamental, tendo resultados positivos na inibição dos “hooligans” -grupos baderneiros-, essa falta de sincronicidade, no Brasil, dificulta o combate. Sendo assim, é mister a mudança das estratégias de enfrentamento.
Urge, portanto, a necessidade de medidas eficazes para atenuação dos atos violentos nas competições esportivas. Para desconstruir essa cultura de ódio, cabe ao Ministério do Esporte estimular a tolerância, por meio de campanhas institucionais com atletas renomados, que ressaltem a importância do respeito ao adversário. Paralelamente, o Poder Executivo, em parceria com Clubes Esportivos devem aperfeiçoar os mecanismos de identificação dos envolvidos, por intermédio de intercâmbio técnico com países de referência nesse assunto, a exemplo da Inglaterra, com vistas de impedir a impunidade. A partir disso, assim como na África do Sul em 1995, o esporte representará um momento de celebração da união dos povos.