Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 06/05/2019
Futebol: paixão nacional. Essa caracterização fez dele o ícone e o principal esporte do país, sendo adorado e glorificado. Contudo, tamanha idolatria perdeu-se o controle quando em 1988 houve a primeira morte de um torcedor assassinado supostamente por uma torcida adversária. Tal ocorrência demonstrou quão profundo esse sentimento pode ir a ponto de resultar numa instabilidade psicológica sendo reflexo da situação social brasileira.
Assim como num relacionamento, quando um dos envolvidos perde a noção dos limites e começa a agir de maneira obsessiva, no esporte, o torcedor fanático age da mesma forma. Sobrepondo o time a tudo e todos, de modo a agir por ímpeto, o qual pode resultar numa agressão dos demais - sejam adversários ou até mesmo jogadores da equipe - como justificativa de defesa ao que tanto admira; o qual demonstra descontrole emocional, resultado da instabilidade psicológica.
Conjuntamente, os dados da violência no Brasil - com mais de 62 mil homicídios em 2016, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública - expõem que o envolvimento agressivo é visto com naturalidade, sendo uma espécie de mecanismo de sobreposição social. Reflexo da competitividade interna gerada pela desigualdade que acaba por levar para dentro do estádio, onde age de acordo com o meio vivenciado.
Dessa forma, o futebol perde seu brilho, encoberto pelo sangue resultante do descontrole psicológico e da sociedade violenta que a nação está acostumada, Assim, para trazer de volta ao gramado o prazer, é necessário, principalmente em torcidas organizadas, um acompanhamento psicológico, a fim de fazer do esporte uma paixão, não uma obsessão. Além disso, deve desvincular a imagem brasileira da violência, onde o governo crie programas de envolvimento social que reduzirá a desigualdade; conjuntamente a ações mais firmes contra o crime, o qual desestimulará tal recurso.