Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 06/05/2019
Na antiguidade, a luta sangrenta de gladiadores e o massacre de presos de guerra eram recreações cotidianas em sociedades como a romana. Hoje, apesar dos avanços dos direitos individuais, práticas violentas ainda permeiam os ambientes esportivos antes figurados pelo Coliseu, fato que remonta à conjuntura cultural vigente e ao seu insuficiente combate.
Em primeiro plano, percebe-se uma configuração cultural danosa no cenário social que afeta diretamente o comportamento de torcedores e jogadores. Ainda há um senso de que homens, principal público nos esportes, devem assumir posturas violentas, misóginas e homofóbicas em nome de uma masculinidade tóxica, a qual tem motivado muitos a reproduzir discursos de ódio nesse microcosmo social e, munidos de um frequente fanatismo e extrema competitividade, criam conflitos com potencial mortal. Assim, o arcaico ideal de ‘‘olho por olho’’ perdura no pós-modernismo, após tantas lutas pela paz em um país como o Brasil, signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Outro aspecto a ser considerado é a ineficácia do Estado e da Mídia diante desse fenômeno. Quando Thomas Hobbes postula a tese de que no princípio o homem vivia inseguro e sujeito ao caos, ratifica a importância de um governo capaz de controlar a funesta natureza humana. Embora não mais aos moldes do filósofo absolutista, coibir a desordem torna-se imprescindível frente à dificuldade de êxito do inicial objetivo de diversão e lazer. Além disso, há a falta de mecanismos que promovam a reflexão de todo o tecido social quanto à falta de espírito esportivo nos estádios, quadras e ginásios do país, contrariando a máxima do iluminista Immanuel Kant, defensor da educação como guia das atitudes dos cidadãos.
Portanto, medidas são necessárias para combater reflexos de um tempo ‘‘sem lei’’ nos desportos da contemporaneidade. O Ministério do Esporte deve, aliado às mídias sociais, criar uma campanha nacional de esclarecimento acerca da manutenção da paz entre os jogadores e torcedores, com a transmissão de mensagens em horário nobre de televisão e durante os jogos -a nível nacional e regional- de futebol e vôlei, para que haja maior engajamento social nesse contexto. Ademais, cabe às Secretarias Municipais assegurar a fiscalização desses espaços com policiamento e uso de câmeras, a fim de limitar ações não pacíficas e discriminatórias nesse importante setor social brasileiro.