Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 11/05/2019

Consoante o existencialista Jean-Paul Sartre, a violência, em qualquer modo de manifestação, é sempre uma derrota. Tal máxima, aplicada no cenário brasileiro de recorrente agressividade no âmbito esportivo, revela o alarmante problema social dela decorrente. Sob esse viés, o fanatismo e a ineficácia de diretrizes constitucionais corroboram consequências vis nessa questão. Logo, urgem ações engajadas dos agentes adequados, com o escopo de minimizar essa deletéria conjuntura.

Efetivamente, o fanatismo configura-se como uma fator que impulsiona atos violentos no esporte, na medida em que evidencia a dificuldade que muitos torcedores apresentam de lidar com a derrota do time e com as diferenças ideológicas, por exemplo. Nessa perspectiva, as agressões tanto físicas, quanto verbais se expandem para além da interação entre fãs e atingem até mesmo os próprios jogadores, com uso de expressões preconceituosas durante os jogos, como foi o caso do goleiro Aranha, o qual foi chamado de ‘macaco’ pela torcida do Grêmio. Por conseguinte, o espírito esportivo é notoriamente comprometido, desconstruindo a simbologia histórica que o desporte representa à nação.

Ademais, é fato a existência de leis que criminalizem a violência nos estádios, como a Lei N° 12.299. No entanto, verifica-se que essa determinação não surtiu o efeito esperado, tendo em vista a precária fiscalização das torcidas e a inexpressiva aplicação de efetivas punições aos agitadores, situação que possibilita a reincidência desse crime. Além disso, observa-se que essa medida constitucional é insuficiente devido à brutalidade que ocorre fora dos estádios, como nos arredores dos ginásios, nos bares e nos meios digitais, fato que amplia a dimensão da violência. Em face disso, percebe-se uma deturpada compreensão social acerca dessa prática lúdica, o que resulta em desarmonia e inviabiliza a ampla sociabilização dos indivíduos.

Destarte, é essencial modificar essa anomalia comportamental no esporte brasileiro. Para tanto, é impreterível que a escola, por meio de atividades interdisciplinares, aborde a questão da violência resultante de um debate insatisfatório entre os torcedores, a fim de fomentar nos mais jovens princípios básicos de ética e de respeito, evitando cenários análogos ao ocorrido com o jogador Aranha. Concomitantemente, é imprescindível que Ministério do Esporte, importante órgão governamental, otimize as determinações constitucionais, mediante fiscalizações frequentes e divulgações nas redes sociais, como “Instagram”,  que evidenciem um cultura de paz nos estádios, com o fito de possibilitar uma prática desportiva mais saudável entre os cidadãos.