Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 15/05/2019

O sociólogo Durkheim alegava que a consciência coletiva é imprescindível a coesão social. Nessa perspectiva, a falta de empatia com o próximo, inerente as consternações as quais dificultam o combate as agressões no esporte, interfere nas relações sociais e do bem-estar comum. Isso se deve, sobretudo, a falta de políticas públicas para enfrentamento dessa realidade, bem como a má formação da base crítica dos indivíduos no ambiente intrafamiliar. Essa circunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o Estado e as instituições formadoras de opinião, com o fito de superar tais mazelas.

De fato, é indubitável que a questão estatal e sua aplicação contribuam para potencializar o problema. Sob esse prisma, de acordo com Aristóteles, o exercício político tem por objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. Segundo tal premissa, denota-se que a rede de segurança nos locais de desporte não atende, mormente, ao monitoramento e a fiscalização dos casos de violência, tendo em conta não haver a implantação de delegacias de cunho esportivo pelo País, além de laboratórios de informática, os quais verifiquem os delitos em tempo real e com precisão. Por certo a tais fatos, o portal de noticias da Record, R7, comprova 101 mortes nos últimos 26 anos envolvendo brigas entre torcidas. Esse impasse corrobora para a impunidade e a ocultação dos infratores, o que amplia a problemática.

Outrossim, conforme o filósofo Zygmunt Bauman, a presença da modernidade líquida se dá a partir da fluidez nas relações do cotidiano. Nesse ínterim, ressalta-se que a existência massiva de famílias desorganizadas está sensivelmente ligada aos casos de agressividade no meio desportivo. Essa situação abjeta relaciona-se por insuficientes diálogos entre os indivíduos, haja vista, muitas vezes, não considerarem a discussão do tema em grupo necessária ou, inclusive, deterem as mesmas condutas de repressão. Nesse viés, o filósofo Pierre Bourdieu, em sua obra “Habitus”, demonstra que a reprodução de comportamentos como a violência se disseminam em várias esferas sociais, mas também são transmitidas para a geração. Com efeito, o comportamento intolerante dos cidadãos desenvolve o caráter de cunho segregacionista, além de acentuar a cultura da criminalidade entre times. .

Urge, portanto, que, diante dos desafios vinculados a violência desportiva, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para tanto, cabe ao poder público, em consonância com o Ministério da Segurança, elaborar projetos sociais, por meio de emendas constitucionais, com a finalidade de ampliar o monitoramento desses delitos por via eletrônica, com aplicativos em celulares, além da criação de delegacias esportivas, com o fito de garantir a punição dos infratores. Ademais, compete à família, juntamente com à escola, produzir conferências educativas, por intermédio de mesas redondas, no intuito de mitigar os atos de opressão entre equipes. Destarte, a coesão de Durkheim será alcançada.