Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 16/05/2019
Violência nos estádios: reprimir ou previnir?
A Premier League é a liga de futebol mais popular e valiosa do mundo, sendo transmitida por oitenta redes de televisão e com um valor de mercado de cerca R$ 30,0 bilhões. A liga inglesa, no entanto, já teve sua reputação manchada por torcedores violentos durante a década de 80. O Brasil passa atualmente por um cenário similar ao vivido pela Inglaterra mais de trinta anos atrás, porém, as medidas adotadas aqui têm por objetivo a repressão quando deveriam se voltar à prevenção.
Não podemos generalizar usando as torcidas organizadas como bode expiatório. Grande parte dos casos de violência veiculados nas mídias, de fato, provêm dessas torcidas e suas rivais. Entretanto, a repressão às torcidas atinge também torcedores pacíficos com medidas ineficientes como o aumento do preço de ingressos de clássicos, o que acaba excluindo torcedores de baixa renda, gerando mais revolta e violência ou estimulando a venda clandestina de ingressos.
Durante os anos 80, a Inglaterra ainda se recuperava de uma grave recessão econômica a qual teve origem uma década antes na chamada crise do petróleo. Em meio a este cenário, surgiam então os hooligans (apelido dado aos torcedores violentos) que depredavam estádios e agrediam torcedores rivais, demonstrando um exagerado fanatismo. Entre as medidas que fizeram a Premier League mudar de rumo foi a identificação e expulsão do estádio de hooligans conhecidos e a reforma dos estádios, com assentos para todos torcedores.
Diante do exposto, percebe-se a falta de um serviço de inteligência e uma maior participação ativa dos clubes. Os times brasileiros deveriam realizar o cadastramento de torcedores e instalação de câmeras visando a prevenção de tumultos, como o feito na liga inglesa. Além disso, penas mais duras como banimento de vândalos e perda de pontos no campeonato por parte dos clubes.