Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 08/06/2019
Durante os jogos olímpicos realizados na Grécia antiga, os competidores eram obrigados a abandonar suas armas e as guerras entre as cidades-estados eram cessadas, mesmo que momentaneamente. Na contramão da prática de não agressão grega, o esporte brasileiro caracteriza-se pela presença constante da violência dentro e fora dos estádios. Tal realidade parece ter como causas principalmente o descaso do poder público com a prevenção dessa problemática, bem como a não punição frequente dos agressores no país, o que leva à sérias consequências sociais.
Em primeira análise, é preciso ponderar a prioridade dada às políticas repressivas ao combate à violência no esporte brasileiro em detrimento das ações preventivas. De acordo com denúncias do jornal El País, no Brasil há escassez de ferramentas e práticas que previnam as agressões nos torneios esportivos, diferente do que ocorre em outros países, como a Alemanha e a França. Nesse sentido, a falta de câmeras nos estádios brasileiros - o Estado do Paraná é um dos únicos da federação que possui câmeras em suas arenas, segundo o jornal O Globo - a ainda deficitária identificação dos torcedores, assim como a carência populacional de orientação que promova a tolerância entre as torcidas nas escolas e mídias brasileiras podem explicar a barbárie presente no esporte do país, o que resulta na multiplicação dos homicídios por rixas na nação.
Ademais, a impunidade frequente desses agressores agrava tal quadro. Para Aristóteles, em sua obra “Ética à Nicômaco”, a política deve ser usada de modo a alcançar a justiça e o bem-estar no corpo social. No entanto, observa-se que no Brasil tal ideal não é devidamente praticado pelos órgãos de justiça nacionais, haja vista que, a despeito do Estatuto do Torcedor, o qual garante a salvaguarda desse público, não há no país o estabelecimento de leis claras que assegurem a punição dos desordeiros no esporte e dos clubes que facilitem a disseminação da violência. Como consequência disso, tem-se o estímulo às brigas e ofensas esportivas, frente a sua não punição.
Desse forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas diligentes que mitiguem os altos índices de violência no esporte nacional. Destarte, o Ministério das Cidades, junto ao Ministério da Educação, deve implantar medidas preventivas às agressões desportivas mediante a instalação de câmeras nos estádios, a melhora na identificação da torcida, como a biometria, e a orientação dos torcedores nas escolas por meio de oficinas e rodas de conversas que promovam a tolerância a fim de prevenir a barbárie no país. Por fim, o Ministério da Justiça, por meio do estabelecimento de leis pela mobilização parlamentar, deve assegurar a punição dos agressores e dos clubes que incitem a violência. Assim, poderar-se-á promover a paz no esporte, como fizera os gregos.