Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 08/06/2019
Segundo Albert Einstein, “É mais fácil mudar a natureza do plutônio do que mudar a natureza maldosa humana”. Nesse sentido, o aumento do número de violência na sociedade mostra a dificuldade de mudar a natureza do homem dita por Einstein. Tal aumento não se limita aos centros urbanos e extrapola os muros, atingindo um local considerado para muitos, pacífico, o estádio de futebol. A formação de grupos rivais e a falta de uma penalidade mais rígida são algumas das causas que tiram o direito de ir e vim do cidadão.
Primeiramente, o enfrentamento nos estádios de futebol já se inicia fora do campo. A formação dos grupos que praticam violência vem aumentando de forma insidiosa e utilizam de meios, como as redes sociais, para promover os crimes. Estrategicamente, marcam horários de confronto, praticam bullying e monitoram os torcedores de times opostos. Em consequência disso, o que é mostrado nas transmissões das partidas não é o que muitas pessoas procuram ver quando vão ao estádio. Bombas de feito moral, cadeiras arremessadas, intervenção de força policial, e por fim, partidas e vidas interrompidas. Talvez, a alusão feita por Einstein começa a fazer sentido, onde o homem parece ser mais tóxico que o plutônio e que sua natureza maldosa chega a provocar mortes.
Em seguida, as penalidades impostas para o combate da violência nos estádios de futebol parece não intimidar os praticantes de tais atos. O Estatuto de Defesa do Torcedor, promulgada em 2003, traz em sua pauta leis de segurança. Passados 16 anos, o número de casos violentos ainda continua em ascensão. Prova disso, em 2017, 104 torcedores foram vítimas de agressões durante os jogos (Jornal El País). Embora existam penas para os que cometem a violência, com trabalhos voluntários e proibição na entrada aos estádios de futebol por cinco anos, tais punições aparentam não estar sendo suficientes. A ausência de rigor nas punições contribui para o aumento da estatística de agressões no esporte, o que coloca o Brasil não apenas como o país do futebol, mas também como o país da violência esportiva.
Dessa forma, compete ao Estado promover campanhas para a população nas redes sociais, em emissoras de rádio e televisão e no próprio campo de partida, através dos jogadores, de forma a conscientizar e advertir as consequências que esses crimes podem provocar. Além disso, é necessário que o Governo Federal juntamente com a Federação Internacional de Futebol (FIFA) tornem as leis de proteção ao torcedor mais rígidas e inflexíveis, coibindo a prática de violência no esporte. Talvez assim, a natureza humana considerada por Einstein como maldosa, seja passível de mudança.