Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 25/06/2019
Promulgada em 1988, a Constituição Federal, em seu artigo 144, assegura que a segurança pública é dever do Estado direito e responsabilidade de todos, a fim de alcançar a harmonia social. No entanto, esses direitos são rompidos no momento em que permite-se a violência no âmbito esportivo, que ao invés de causar entretenimento geram medo a população, seja pelo déficit de segurança nos estádios, seja pela inconsciência da população.
A priori, é indubitável que a omissão do Estado e dos clubes de futebol frente a promoção da segurança dos torcedores fomenta para o caos. Dessa forma, segundo o filósofo John Locke, esse impasse externa uma transgressão ao contrato social, uma vez que o poder público não busca garantir os direitos primordiais, como a segurança pública. Nesse prisma, é fato que a falta de punições efetivas e fiscalizações são fatores que propagam a ação criminosa das torcidas organizadas, aumentando a rivalidade das torcidas e a insegurança nos campos. Logo necessita-se de ações conjuntas do governo e dos clubes para mitigar tal problema.
Outrossim, constata-se ainda que a inconsciência da população também corrobora para elevação da problemática. Nesse sentido, de acordo com os dados da pesquisa do sociólogo Maurício Murad, mostra que o Brasil apresenta os maiores índices número de morte em confronto das torcidas organizadas, uma vez que ocorre através de práticas machistas, xenofóbicas, racistas e de mutilação e que apenas 3% são punidos efetivamente. Analogamente, nota-se que o legado “cultural do ganhar” tem ganhado espaço nos estádios visto que os torcedores não aceitam passivamente a derrota dos times. Além disso, percebe-se que essa competitividade também relaciona-se ao estímulo que os pais impõe aos filhos a serem torcedores fanáticos desde a infância e defender os times em qualquer circunstância.
É evidente, portanto, que há entraves para garantir o Artigo 144 e o contrato social de John Locke no Brasil. Destarte, o Governo Federal, junto ao Ministério da Segurança e dos clubes de esporte, por meio de projetos fiscalizatórios, detentivos e policial, deve ampliar a frota de policiais dentro e fora dos estádios, bem como aprimorar as fiscalizações de práticas de discriminação e por fim ampliar as diretrizes que combata tal violência, no fito de ampliar a segurança dos torcedores e eliminar as torcidas organizadas. Ademais, à mídia, por meio de anúncios publicitários, pode mostrar os malefícios de tal crime a população, no intento de impedir o fanatismo no esporte e formar cidadãos mais morais e conscientes.