Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 22/07/2019
O futebol chegou ao Brasil no século XIX, através de Charles Miller. Em pouco tempo, ganhou popularidade e tornou-se uma das maiores manifestações da cultura brasileira. Todavia, em virtude da deturpação do seu ideal, tal esporte passou a ser fonte de conflitos que precisam ser superados. Essa adversidade se deve, sobretudo, à extrema competitividade entre os clubes e à impunidade dos atos de violência nesse meio.
Muitos indivíduos são condicionados desde a infância pelos próprios familiares a torcer ou não para determinado time. Assim, alguns adquirem uma paixão desmedida pelo clube e passam a defendê-lo com veemência em quaisquer circunstâncias. Como consequência, surgem conflitos que, muitas vezes, terminam de maneira trágica. Consoante à pesquisa realizada pelo sociólogo Maurício Murad, de 2010 a 2017, ocorreram 113 mortes relacionadas ao futebol.
É necessário salientar, ainda, a ineficiência da lei em julgar e punir os responsáveis por tais crimes. Dessa forma, infratores se reúnem na forma de torcidas organizadas com o objetivo de agredir e insultar aqueles que são considerados inimigos. Por conseguinte, a intolerância é naturalizada e a prática se perpetua, já que segundo o filósofo Albert Camus, “Não há ordem sem justiça”.
Destarte, é necessário que o Ministério do Esporte, em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol, crie um cadastro nacional de torcedores a fim de tornar mais eficiente a identificação de possíveis infratores. Outrossim, é necessário que o Ministério da Justiça assegure o Estatuto de Defesa do Torcedor, através de uma maior fiscalização e policiamento dentro e fora dos estádios. Desse modo, o futebol poderá enfim ser utilizado como mecanismo de união e superação de diferenças.