Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 11/07/2019

Promulgada em 1988, a Constituição Federal, em seu Artigo 144, assegura que a segurança pública é dever do Estado direito e responsabilidade de todos, a fim de alcançar a harmonia social. No entanto, esses direitos são rompidos no momento em que permite-se a violência no âmbito esportivo, que ao invés de causar entretenimento geram medo à população, seja pelo déficit de segurança pública nos estádios, seja pela inconsciência da população.

A priori, é indubitável que a omissão do Estado e dos clubes de futebol frente a promoção da segurança dos torcedores fomenta para o caos. Dessa forma, segundo o filósofo John Locke, esse impasse externa uma transgressão ao contrato social, uma vez que o poder público não busca garantir os direitos primordiais, como a segurança pública. Nesse prisma, é fato que a falta de punições efetivas e fiscalizações são fatores que propagam a ação criminosa das torcidas organizadas, aumentando a rivalidade das torcidas e a insegurança nos campos. Logo, necessita-se de ações conjuntas do governo e dos clubes para mitigar tal problema.

Outrossim, constata-se ainda que a inconsciência da população também corrobora para elevação da problemática. Nesse sentido, de acordo com os dados da pesquisa do sociólogo Maurício Murad, mostra que o Brasil apresenta os maiores índices de morte em confronto das torcidas organizadas, uma vez que ocorre através de práticas machistas, xenofóbicas, racista e de mutilação e que apenas 3% são punidos efetivamente. Analogamente, nota-se que o legado da “cultura do ganhar” tem ganhado espaço nos estádios, vistos que os torcedores não aceitam passivamente a derrota dos times. Além disso, percebe-se que essa competitividade também relaciona-se ao estímulo que os pais impõem aos filhos a serem torcedores fanáticos desde a infância a defenderem os times em qualquer circunstância.

É evidente, portanto, que há entraves para garantir o Artigo 144 e o contrato social de John Locke no Brasil. Destarte, o Governo Federal,  junto ao Ministério da segurança e dos clubes de esporte, deve ampliar a frota policial dentro e fora dos estádios, bem como aprimorar as fiscalizações das práticas de discriminação aos arredores do clubes com o auxílio de câmeras e, por fim, ampliar as diretrizes que combata a tal violência para impedir o avanço dos crimes, por meio de projetos fiscalizatórios, detentivos e policiais, no intuito de ampliar a segurança dos torcedores e eliminar as torcidas organizadas. Ademais, a mídia, por meio de anúncios publicitários, pode mostrar os malefícios de tal crime a população, no intento de impedir o fanatismo no esporte e formar cidadãos mais morais e conscientes.