Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 13/07/2019
Policarpo Quaresma, protagonista da obra-prima de Lima Barreto, era um nacionalista extremado que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil e morreu frustrado ao ver que elas não aconteceram. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avançou no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vista que entraves como a violência no esporte ainda se faz presente no corpo social brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar de que forma os aspectos culturais incentivam o fanatismo esportivo, bem como esclarecer as causas da falha de segurança nos estádios e arredores em busca de soluções eficientes para esse entrave.
Em primeiro lugar, sabe-se que no Brasil o futebol é um esporte cultural, logo na infância aprende-se a torcer para o mesmo time que a família, esse incentivo é reforçado pelos meios de comunicação, que impulsiona um sentimentalismo aos times, assim surge a ideia de que o adversário é um inimigo, tal problemática entra em conflito com a utopia de Brasil idealizado por Barreto, na medida em que, na defesa do ponto de vista, usam da violência verbal e física como forma de proteção a supremacia. Essas ações são demonstradas principalmente nos estádios e arredores, pois durante e após os jogos se tem presente de forma mais intensa a competitividade e rivalidade entre dois lados.
Ademais, percebe-se a falha no sistema de segurança, principalmente fora dos estádios, visto que, na pesquisa realizada pelo R7, de 101 pessoas que morreram em brigas de torcidas organizadas, 7 foram dentro do estádio e 82 mortes aconteceram nos arredores, evidenciando a necessidade de reforços à seguridade da população, uma vez que, a ideia de inclusão social que o esporte apresenta não se consolida. No aspecto apresentado, configura-se a ideia de Thomas hobbes, “O homem é lobo do homem”, pois que, o homem em liberdade tende à um estado de violência e anarquia.
É imprescindível, portanto, a mudança de conduta dos torcedores que utilizam por meio da força a argumentação de uma ideia. Para isso o Brasil poderia se inspirar em países como a Inglaterra, que é referencia em segurança em estádios, pois adotou medidas como cadastramento de torcedores, após sofrer ataques de grupos segregacionistas e repressivos, denominados “Hooligans”, tal ação facilitaria a identificação do torcedor em casos de violência, juntamente com o Ministério de Segurança Pública, ampliando o policiamento nos bairros próximos e arredores de estádios em dias de jogos. Outra medida eficaz seria a mídia em parceria com clubes, desenvolver e incentivar campanhas que promovam pacificidade entre os torcedores, a fim de reduzir as estatísticas de violência. Com essas ações, acredita-se que a situação da impetuosidade no esporte será resolvida de modo a orgulhar Policarpo Quaresma.