Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 17/07/2019

A banda Skank, em uma de suas mais conhecidas canções, questiona “quem não sonhou em ser um jogador de futebol?” Nessa mesma música, o eu-lírico diz que pode morrer pelo time dele, verso que traduz com clareza a paixão e o fanatismo do brasileiro pelo futebol. Dentro desse contexto, há de se considerar a violência no esporte, em especial no futebol, tendo em vista episódios de agressões e mortes nos estádios. Logo, convém analisar as causas dessa violência, as quais se encontram na rivalidade incentivada pela mídia e na inoperância estatal diante da situação.

A princípio, é importante partir das causas que provocam esse fenômeno. Nesse sentido, a mídia é incluída, pois incita nos torcedores uma rivalidade exagerada. Isso pode ser observado nas coberturas dadas em clássicos como Flamengo e Fluminense, nos quais as partidas são encaradas quase como campos de batalha. Sob essa ótica, é como se os torcedores voltassem ao estado de natureza humano, da teoria do filósofo Hobbes, cujo cerne reside no “homem ser o lobo do homem”, visto que disputam a vitória e a supremacia sobre o outro baseados na violência. No entanto, na teoria hobbesiana, o Estado existe para conter esse ímpeto competitivo, o que não acontece aqui devido ao fato de o governo não se impor para impedir episódios desse tipo.

Como consequência, o esporte perde seus valores e sua boa contribuição na educação das crianças. Além disso, a violência propicia comportamentos nocivos como intolerância e preconceito, haja vista os vários casos em que jogadores negros sofreram ofensas racistas em campo. Sob esse aspecto, tais atitudes exercem péssima influência nas crianças, que, ao invés de aprenderem valores como superação, amizade e trabalho em grupo, passam a reproduzir xingamentos e agressões. Nessa conjuntura, tal perspectiva comportamental relaciona-se com a Teoria do Habitus, do filósofo Pierre Bourdieu, a qual caracteriza a sociedade como possuidora de padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos, sendo a violência esportiva um desses padrões.

Fica claro, portanto, que o sentido do esporte precisa ser resgatado, dado as consequências prejudiciais da violência nesse âmbito. Para isso, cabe às emissoras televisivas não incentivarem a rivalidade exagerada. Isso pode ser feito por meio da veiculação de reportagens sobre torcedores amigos e propagandas que preguem a integração de torcidas, a fim de estimular a tolerância de todos torcedores. Ademais, o Legislativo deve criar leis que impeçam a violência nos estádios, mediante multa aos clubes envolvidos e proibição da entrada de pessoas com histórico de confusão, bem como sua prisão em caso de agressões graves. Assim, o esporte voltará a exercer boa influência para as crianças e todos voltarão a sonhar em serem jogadores de futebol sem medo de violências.