Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 10/08/2019

É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “Tinha uma pedra no meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito da violência no esporte brasileiro. Sob tal paridade, entre o escrito poético e a realidade vigente, constata-se, que a problemática atua e repercute no cotidiano dos brasileiros como um verdadeiro obstáculo social a ser superado. Contudo, percalços como a inoperância estatal e a pouca participação popular na política dificultam o sobrepujar dessa adversidade.

De início, é importante pontuar que a inércia governamental permite um agravamento da situação. Segundo Aristóteles, o Governo deve, acima de tudo, garantir o bem-estar da sociedade. Porém, nota-se o descaso das autoridades públicas em relação à aplicabilidade de medidas enérgicas para tornar efetivo o combate à violência nos esportes. Esse desdém é evidenciado por meio do portal de notícias R7, o qual revela que nos últimos 26 anos, 101 mortes foram registradas, dentro e fora dos estádios de futebol. Nesse contexto, verifica-se que os princípios aristotélicos são postos de lado, visto que a violência urbana continua a ser difundida nos mais variados cenários.

Além disso, a pouca participação cívica contribui para a acentuação da problemática. Consoante aos ensinamentos de Jürgen Habermas o debate livre e racional entre os cidadãos e o Estado proporciona à sociedade não só melhorias sociais, como também a criação de políticas assistencialistas. No entanto, para que o debate, idealizado por Habermas, ocorra efetivamente faz-se imprescindível que haja, primeiramente, um maior engajamento cívico popular e consequentemente o desenvolver de uma ampla consciência político-social. Em outras palavras, a comunidade deve se unir para se transformar numa fonte coletiva de mudança tanto no aspecto político, quanto no aspecto social. Dessa forma, reivindicações sociais como alternativas para erradicar a violência no esporte serão trabalhadas com mais afinco pelo Governo e por indução, mais rapidamente solucionadas.

Logo, para superação desse cenário preocupante, urge que o Super Ministério da Justiça, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova ações policiais com objetivo de investigar, buscar e apreender torcidas organizadas envolvidas com o crime. Ademais, essa ação deverá ser posta em prática mediante a instalação de câmeras de videomonitoramento dentro e nos arredores dos estádios esportivos, com o intuito de minimizar esse mal e garantir a segurança pública. Ainda assim, parte da verba deverá ser aplicada na criação de ouvidorias públicas, com a finalidade de facilitar o diálogo entre entre a população e o Estado, para que o bem-estar social seja atingido.