Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 24/09/2019
Após o fim do Apartheid, o presidente Nelson Mandela usou o esporte para unir uma nação dividida por questões raciais e intelectuais, na Copa Mundial de Rúgbi. Apesar de tal característica unificadora do esporte, hodiernamente, no Brasil, essa essência parece estar distorcida, haja vista que as agressões, vandalismo, arrastões e até furtos mostram-se cada vez mais comuns nos estádios e arenas esportivas. Diante disso, é preciso atentar-se que a violência é um reflexo de fatores culturais, agravados pelo fanatismo irracional.
Mormente, vale salientar que as raízes da violência estão intimamente ligadas à cultura do machismo. Segundo reportagem do jornal Gazeta do Povo, 85 a 90% das pessoas que cometem atos violentos nos estádios são homens. Nesse viés, é possível fazer um paralelismo a um modo de pensar retrógrado, no qual o masculino se sente dominador e, por isso, não aceita a possibilidade de derrota do seu atleta ou time favorito, o que o leva a canalizar sua raiva momentânea em agressividade e desrespeito para com o próximo. Dessa forma, a herança histórica faz-se presente nos tempos atuais e colabora para situações desagradáveis.
De outra parte, vale salientar que a violência, além de física e verbal, também acomete a estrutura física dos locais. São inúmeros os atos de vandalismo dos estádios e depredação de ônibus nos dias de jogos de futebol. Conforme o Instituto de Pesquisa Econômica Avançada (IPEA), em 2013, 308 ônibus foram depredados, o equivalente a um custo de 80 mil reais. Nesse viés, sob a perspectiva filosófica de Sartre, “a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”. Assim, urge que medidas sejam tomadas em resposta ao fanatismo irracional, que se manifesta em selvageria, desordem e prejuízos econômicos.
Portanto, é incontrovertível que a agressividade no esporte é um problema que deve ser cortado pela raiz. Para isso, é dever dos Ministérios do Esporte e da Educação, em parceria com os clubes esportivos, promover palestras e debates nas escolas acerca do tema, com o fito de conscientizar crianças e adolescentes da necessidade de conciliar a paixão pelo esporte com a educação e o respeito. Ademais, antes do início das partidas, os atletas devem fazer pronunciamentos públicos sobre a importância da empatia para com o time adversário, com a finalidade de expandir a consciência dos indivíduos de que o esporte é uma ferramenta que visa a inclusão e não a discórdia. Desse modo, o machismo, a intolerância e o fanatismo irracional serão, gradativamente, mitigados e o esporte será uma alavanca para a união, como previsto pelo presidente Mandela.