Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 08/10/2019
Considerado como um esporte na Antiguidade Clássica, era comum a prática de assistir homens digladiarem-se até a morte em arenas. De modo análogo, embora a evolução no conceito de direitos humanos, esse comportamento é, muitas vezes, reproduzido hodiernamente no cenário esportivo. Nesse contexto, é fundamental analisar como o fanatismo esportivo e a ineficiência das leis perpetuam tal cenário.
Primeiramente, é importante destacar o papel do fanatismo cultural como impulsionador da violência esportiva. Isso ocorre pois, é valor cultural no país defender um time de modo inclusive irracional e, de tal modo, ao transmitir esses valores desde a infância, formam-se adultos que, muitas vezes, são capazes de agredir outro indivíduo simplesmente por torcer para uma equipe rival. Nesse viés, é crescente o índice de violência associadas ao esporte no país que, em 2017, inclusive, vitimizou mais de 6 pessoas à morte em estádios. Como consequência, persistindo o fanatismo, vê-se o constante crescimento desses crimes que desqualificam o cenário esportivo nacional.
Outrossim, aliada ao fanatismo, tem-se a ineficiência jurídica como outro fator que corrobora à manutenção da violência no âmbito esportivo. Isso acontece porque, conforme o sociólogo Émile Durkheim propôs em sua tese da coerção social, os indivíduos, na ausência de um aparato coercitivo contrário às atitudes que firam os direitos alheios, sentem-se livres para agir de tal forma, apoiados na crença da impunidade. Nesse cenário, é comum, por exemplo, a persistência de agressões mesmo em estádios com corpo policial presente, o que comprova a ineficiência estatal em lidar com a problemática que, consequentemente, torna o esporte um ambiente hostil no país.
Fica evidente, portanto, que o fanatismo e a legislação ineficiente contribuem para o problema em questão. Em razão disso, é dever do Ministério da Educação conscientizar crianças e jovens sobre o respeito no esporte, por meio de palestras ministradas em escolas públicas por representantes esportivos com temática educacional de modo a coibir a violência no esporte. Cabe, também, ao Ministério da Justiça, em parceira com o Ministério do Esporte, propor projetos de leis rígidas para crimes esportivos de caráter banal, a fim de repreender tal comportamento no país. Sendo assim, é possível continuar o progresso em busca da ampliação dos direitos humanos na nação.