Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 22/10/2019

Desde a Idade Média, os atos de violência eram vinculados as manifestações de imposição e poder. Diante desse cenário, os jogos entre gladiadores que lutavam no Coliseu, em Roma, sucediam ao público a afeição à brutalidade e a justificativa baseada nos valores culturais. No entanto, após séculos de avanço e proteção, alguns indivíduos ainda refletem esses traços na competição esportiva, como fazem muitos brasileiros nos estádios de futebol.

Em primeiro lugar, a mídia impulsiona o sentimentalismo aos times, e, até mesmo converte a paixão pelo futebol em um verdadeiro estilo de vida. Neste sentido, os torcedores adotam irronicamente a metáfora conceitual “Futebol é guerra” e encaram as partidas como um combate. Assim, cria-se uma rivalidade e vê-se o time e a torcida adversária como inimigos. Essas usam a agressão para representar um tipo de defesa e supremacia de um time sobre os outros.

Ademais, a impunidade dessas ações hostis favorece o contínuo desrespeito aqueles que vão apenas para apreciar os jogos, e, até mesmo, inverte a visão do esporte como método de inclusão social, defendido pelos próprios clubes.. Exemplo disso, é que o Brasil lidera o ranking entre países que contém mais mortes em estádios de futebol, o que comprova que a segurança nestes lugares é ineficaz.Visto que, muitas vezes os agressores não são identificados ou recebem leves advertências, enquanto que para as vítimas que sofrem violência física ou moral, os danos podem ser irreversíveis.

É imprescindível, portanto, a mudança na conduta daqueles que usam a impetuosidade para se imporem diante de outros times. Para isso, o Brasil poderia se basear em países com referência em segurança nos estádios, como a Inglaterra, que sofreu ataques segregacionistas e repressivos, para combatê-los, fez cadastramento de torcedores, o uso de reforço policial e expulsão temporária aos que desviaram da pacificidade entre jogos. A mídia e os clubes podem promover campanhas de conscientização ao público, a fim de que o reflexo da Idade Média se converta em um coletivismo ético e que auxilie a integração social do esporte.