Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 03/03/2020
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, assegura a todos os indivíduos o direito ao bem-estar social. Contudo, a insegurança no âmbito esportivo brasileiro ameça a vida humana e priva o cidadão de comparecer a eventos desportivos, principalmente, em partidas de futebol. Nesse contexto, dois fatores contribuem para a ocorrência de casos violentos, dentro ou fora de estádios e arenas: as torcidas organizadas e a insuficiência de políticas públicas.
Inicialmente, a infiltração do crime nas torcidas uniformizadas é um dos maiores geradores de conflitos e desordem. Por certo, o crescimento e enriquecimento desses grupos organizados se deu a partir dos anos 2000, pois as instituições esportivas passaram a distribuir uma carga de ingressos para essas organizações. Um exemplo disso é retratado em matéria publicada no portal de notícias iG, no ano de 2012, na qual dirigentes das 12 maiores torcidas de clubes brasileiros ajudavam os integrantes desses grupos com tratamento especial, ingressos grátis e descontos. Além disso, a aliança entre grupos organizados de diferentes regiões do país favoreceu incidentes em eventos de times com pouca rivalidade, razão que fortaleceu ainda mais a insegurança do ambiente desportivo.
Em uma segunda análise, a violência no esporte, especialmente no futebol, é reflexo da sociedade brasileira e das políticas públicas ineficientes. De acordo com o sociólogo brasileiro Maurício Murad o principal culpado pela violência no futebol é o governo federal, que após um confronto entre as torcidas de Vasco e Athlético Paranaense, no ano de 2013, prometeu medidas de combate à violência, porém nenhuma providência eficaz foi tomada. Outrossim, proibições de faixas e bandeiras e clássicos com a presença de torcida única são comprovadamente ineficientes, uma vez que continuam ocorrendo conflitos, seja entre torcedores rivais, seja entre torcedores do mesmo time. Por outro lado, essas sanções apenas afastam o público e acabam com a “graça” do espetáculo, fato que, inegavelmente, reforça a ineficácia das ações governamentais e, como resultado, a perpetuação dos casos violentos.
Portanto, constata-se que a violência no esporte prejudica o acesso e põe em risco a vida do torcedor, configurando-se como um problema na sociedade. Sendo assim, é necessário que a mídia, que tem poder de alcance entre as massas, denuncie a participação de grupos criminosos nas torcidas organizadas, por meio de reportagens investigativas. Ademais, é preciso que o Estado, que é responsável pela gestão dos recursos, proteja o torcedor inocente, por meio da reformulação do Estatuto do Torcedor. Essas propostas visam minimizar a influência do crime no esporte, viabilizar o acesso do público inocente e, consequentemente, diminuir os casos de violência no ambiente esportivo.