Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 07/03/2020

Durante o Império Romano, era cultural a espetacularização da violência cotidiana em esporte, o que era refletido em coliseus imensos e lotados, onde guerreiros denominados gladiadores se matavam em prol do entretenimento. De forma análoga, ao Brasil do século XXI, a violência em recintos esportivos é uma realidade recorrente, levando ao óbito de diversos torcedores. Nesse contexto, a perpetuação desse cenário reflete um quadro desafiador para a nação verde-amarela, cujas raízes desse problema encontram-se atreladas à ineficiência estatal, e promovem consequências alinhadas à

Mormente, é justo reconhecer as iniciativas do Poder Público que visam a atenuar essa problemática, a exemplo da criação do Estatuto do Torcedor, o qual assegura a autonomia do apreciador de esportes em recintos esportivos. Entretanto, isso não tem sido suficiente para atenuar essa problemática, haja vista que, hodiernamente, a carência de fiscalizações, tal qual a insuficiência de segurança nesses locais, não impedem que torcedores mal intencionados promovam destruição nesses lugares. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que algumas instituições, como o Estado, perderam sua função social, mas tentam conservar seu papel na sociedade a todo custo, sendo denominadas “instituições zumbis”. Destarte, enquanto o Estado falhar em promover segurança nesses lugares, o torcedor não poderá desfrutar do lazer esportivo em sua totalidade.

Por conseguinte, esse fenômeno intensifica a violência, e ela começa a se estruturar e a se organizar com a finalidade única de promover o caos, a exemplo das torcidas organizadas no futebol que objetivam, justamente, atacar e assediar outros jogadores, podendo levar, inclusive, ao óbito. A exemplo disso, o caso noticiado pelo Estadão, no qual João Vitor, de 18 anos, um torcedor do Fluminense, foi pisoteado e morto em um arrastão envolvendo torcedores do Flamengo. Tristemente, enquanto isso acontecer, parte da população brasileira não poderá desfrutar do direito ao lazer, previsto na Carta Magna do país.