Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 13/08/2020
Entre os muitos esportes praticados no Brasil, o futebol é a maior paixão dos brasileiros, aos domingos, por exemplo, os estádios estão lotados. “Que coisa é uma partida de futebol”, diz a letra da música do grupo Skank. Entretanto, o que deveria ser apenas um momento de lazer, torna-se um pesadelo. No Brasil não é só o time que entra em campo, mas também a violência dentro e fora dos estádios. Fruto de uma rivalidade nociva e intensificada por uma polícia despreparada, ela deve ser combatida, então, com inteligência tática do poder público e educação por parte dos torcedores.
Primeiramente é preciso entender o torcedor brasileiro, para ele só há uma possibilidade: a vitória. Segundo o sociólogo, Jessé de Souza, isso é fruto de uma herança colonial machista e patriarcal, a qual promove uma rivalidade exacerbada que ovaciona o vencedor desde que o perdedor seja humilhado. Além disso, essa competição que não é saudável muitas vezes é incentivada nas escolas com a recompensa para o melhor aluno e a exposição do estudante que não se dá muito bem durante o ano letivo. Em consequência disso, o “perdedor” também quer ter algum tipo de poder, e, assim, a violência se estabelece em um ciclo, o qual deve ser quebrado urgentemente
Além disso é necessário compreender como o Estado tem falhado em quebrar esse ciclo violento. A polícia militar, que tem responsabilidade pela segurança, responde à violência das torcidas com truculência. Isso ocorre porque a militarização da polícia brasileira é pautada no punitivismo discutido pelo filósofo Michael Foucault, cujo objetivo é punir durante o confronto , sujeitar os corpos e estigmatizá-los com violência. Dessa maneira, o ciclo violento se mantém e as cenas que são frequentes nos noticiários pós-jogos de agressão e depredação do patrimônio público se mantém.
Portanto, para resolver o problema da violência no esporte brasileiro, os governos estaduais devem criar a polícia esportiva, por meio da desmilitarização de uma parte do corpo policial, o qual não agirá com violência, mas com inteligência tática para a prevenção de conflitos pré e pós-jogos. Além disso os policiais militares deverão ter sua abordagem reformulada e submeter-se à terapia regular, focando na desconstrução do caráter punitivista no qual o policial está inserido. Tudo isso com o objetivo de quebrar o ciclo da violência relacionada ao esporte. Ademais, o Ministério da Educação deve criar o"Dia Contra a Violência no Esporte" nas escolas, o qual acontecerá por meio de debates, palestras com psicólogos, atletas de diversas modalidades e incluirá a família no processo de desconstrução da violência na rivalidade no esporte. Tudo isso com o objetivo de formar uma geração de jovens e adultos que tenham consciência de que esporte e violência não se misturam.