Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 24/03/2020
No dia 17 de dezembro de 2017, um incidente caótico foi observado pelos brasileiros no Maracanã, onde centenas de torcedores do Flamengo forçaram a entrada e acessaram o estádio, a maioria sem bilhetes, e transformaram o lugar em um verdadeiro caos, com pisoteamentos, agressões, vandalismo e até mesmo furto a um torcedor que havia sido atropelado nas imediações do lugar. Por mais pavoroso que pareça ser, episódios como esse podem ser testemunhados com certa frequência hodiernamente. Em função disso, é conveniente afirmar que o sentimento de pertencimento a torcidas organizadas e a impunidade para tais casos de violência contribuem não só para o agravo do problema, como também para a consequência mais perigosa dele: o aumento da mortalidade.
Primeiramente, é importante ressaltar que boa parte da violência presenciada entre os fãs de esportes provém também da fusão social do indivíduo em relação a torcida do time que ele compactua. Partindo dessa mesma hipótese, a revista científica Evolution and Human Behaviour fez uma pesquisa com mais de 400 torcedores brasileiros, dos quais cerca de 45% afirmaram pertencer a torcidas organizadas, comprovando assim, em partes, a tese anteriormente discutida. O indivíduo fusionado vê a ameaça ao grupo como uma ameaça a si mesmo, como afirma o neurocientista Tiago Bortolini, do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino. Portanto, esse sentimento, juntamento com o desajustamento social, contribuem para o aumento da violência.
Por conseguinte, é notável um número significativo de mortes relacionadas a esportes no país, e essa estatística assusta mais ainda quando pensa-se no real objetivo dos esportes como um todo, que deveria ser proporcionar lazer, evidenciando assim o contempto de autoridades diante desse assunto. Infelizmente, o Brasil é um dos países que mais sofre com essa consequência, tanto que em 2014, o país encerrou o ano como a nação que mais mata por causa de futebol em todo o planeta. Diante disso, o sociólogo Maurício Murad afirma que os vários casos de violência em estádios que nem sequer vão a público só evidenciam o baixo preparo da polícia, a impunidade e a baixíssima fiscalização, já que a maioria das mortes é por tiro.
Partindo do pressuposto, é mister a ação do Governo para a resolução do problema. Para conter a fusão social, urge que Federação Internacional de Futebol (FIFA) puna os times que apoiem a criação de torcidas organizadas, por meio de descontos de pontos, e que a mesma crie e divulgue campanhas que justifiquem as punições e apresentem os malefícios desses grupos, por meio de mídias sociais, para a conscientização da população. Só assim, será possível a criação de uma sociedade mais segura para os brasileiros, e assim, garantir o lazer dos fãs de esportes sem a necessidade de insegurança.