Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 17/04/2020

Desde a Idade Média, os atos de violência eram vinculados às manifestações de imposição e poder. Diante desse cenário, os jogos entre os gladiadores que lutavam no Coliseu, em Roma, sucediam ao público a afeição à brutalidade e a justificativa baseada nos valores culturais. No entanto, após séculos de avanço e proteção aos direitos humanos, alguns indivíduos ainda refletem esses traços na competição esportiva, como fazem muitos torcedores brasileiros nos estádios de futebol.

Ademais, a impunidade dessas ações hostis favorece o contínuo desrespeito àqueles que vão apenas para apreciar as partidas e, até mesmo, inverte a visão do esporte como método de inclusão social, defendida pelos próprios clubes. Exemplo disso, é que o Brasil lidera o ranking entre os países que contêm mais mortes em estádios de futebol, o que comprova que a segurança nesses lugares é ineficaz, visto que, muitas vezes, os agressores não são identificados ou recebem leves advertências, enquanto, para as vítimas que sofrem de violência física ou moral, os danos podem ser irreversíveis.

É imprescindível, portanto, a mudança na conduta daqueles que usam a ferocidade para uma imposição diante de outros times. Para isso, o Brasil poderia se basear em países com referência em segurança nos estádios, como a Inglaterra, que sofreu ataques segregacionistas e repressivos de grupos chamados “Hollingans” e, para combatê-los, fez o cadastramento de torcedores, o uso de reforço policial e expulsão temporária dos que desviarem da pacificidade entre os jogos. A mídia e os clubes podem promover campanhas de conscientização do público, a fim de que o reflexo arcaico da Idade Média se converta em um coletivismo ético e que auxilie a integração social do esporte.