Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 27/06/2020
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. Entretanto, observar-se o contrário no campo hodierno brasileiro quanto à questão da violência no esporte brasileiro. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da presença de impunidade e da falta de debate sobre essa problemática.
Primordialmente, é importante destacar que a constância da impunidade dos agressores é um fator determinante para a persistência do problema. Sob esse viés, a máxima de Martin Luther King de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança coletiva em competições esportivas, como o futebol, em razão da violência presente nesses ambientes, tendo em vista que mais de 100 mortes foram registradas em 26 anos relacionadas à brigas esportivas segundo o portal R7. Tal quadro desfigura a imagem do esporte alegre brasileiro em uma face agressiva e perigosa que deve ser combatida.
Ademais, o silenciamento sobre essa questão caracteriza-se como um complexo dificultador para a resolução dessa temática. Nessa perspectiva, o filósofo Foucault defende que na sociedade pós-moderna, alguns temas são calados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate em torno da violência no esporte, que tem sido silenciado pelas autoridades, sejam governamentais, sejam midiáticas ao não trazerem a tona as causas e consequências da agressividade em espaços esportivos, mantendo-se neutros quando deveriam se posicionar a favor da segurança e em especial, da vida. Dessa maneira, a ausência de debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema.
Portanto, tais entraves precisam ser solucionados. Para esse fim, é necessário que o Ministério da Justiça e o Ministério da Saúde, juntos, realizem duplamente ações de punição e de atendimento psicológico aos agressores e às vítimas. Enquanto este se daria em postos de saúde por meio de acompanhamento de um profissional especializado em tratamento pós-trauma, aquele aconteceria por meio da agilização dos processos já abertos, a fim de garantir que o cenário de impunidade seja modificado. É possível, também, que esses órgãos criem uma hashtag nas redes sociais a fim de discutir amplamente o perigo da continuidade da violência esportiva, promovendo palestras com psicólogos a fim de sensibilizar os torcedores. Dessa forma, os direitos assegurados em 1948 podem ser concretizados.