Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 24/06/2020

O ‘‘hooliganismo’’, conceito que faz referência a um comportamento destrutivo associado a fãs de esportes, principalmente do futebol, foi amplamente difundido na Inglaterra na segunda metade do século XX, após uma série de casos de violência nos estádios. De maneira análoga, no Brasil atual, a hostilidade nos espetáculos esportivos é cada vez mais comum, o que evidencia a importância do debate acerca dessa problemática. Tal situação é corroborada, principalmente, pelo baixo índice de punição aos envolvidos, somado à crescente inserção de criminosos nas torcidas organizadas ao redor do país.

A priori, as tentativas de punição à violência no esporte têm-se mostrado ineficazes. É sob esse prisma que o sociólogo Maurício Murad afirma que, entre os anos de 2014 e 2015, apenas 3% dos delitos, no âmbito do futebol, foram punidos. Diante disso, torna-se cada vez mais difícil a identificação dos agressores, o que possibilita a volta destes indivíduos aos estádios e suas imediações, que são os principais focos de violência no âmbito esportivo. Desse modo, cria-se uma atmosfera de impunidade, que corrobora o ciclo de atos violentos ao redor do país, estes que, muitas vezes, passam despercebidos pela mídia e pelas autoridades policiais.

Ademais, a violência no esporte brasileiro intensificou-se na medida em que as torcidas organizadas passaram a ser controladas por pessoas ligadas ao crime. Isso porque, devido às ligações com facções criminosas, as rivalidades deste âmbito foram incorporadas aos antagonismos do esporte - principalmente o futebol -, o que estimulou a criação de um sentimento de insegurança e de medo entre os demais torcedores . Acerca disso, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a violência, para 68% dos torcedores, é o principal motivo para não ir aos estádios. Sendo assim, é lógico inferir a necessidade de alterar tal cenário.

Portanto, demonstra-se a relevância do debate acerca da violência no esporte brasileiro. Logo, a fim de reduzir a ocorrência de atos violentos, dentro e fora dos estádios, cabe aos governos estaduais, mediante parcerias com as prefeituras e os policiais civis e militares, intensificar a fiscalização e a devida punição aos envolvidos. Tais entidades devem promover a revista rigorosa dos torcedores, além da instalação de câmeras que permitam a identificação de agressores - evitando, assim, a reincidência criminal destes indivíduos. Ademais, cabe aos mesmos órgãos públicos o policiamento ostensivo, dentro e fora dos estádios, incluindo agentes à paisana nas ruas e arquibancadas. Após tais medidas, reduzir-se-á os efeitos nocivos dos ‘‘hooligans’’ modernos ao esporte brasileiro.