Causas e consequências da violência no esporte brasileiro
Enviada em 06/07/2020
Na obra Utopia, do escritor Thomas More, encontra-se o detalhamento de uma ilha, constituída por cinquenta e quatro cidades, que funcionava de forma perfeita e, assim, os utopianos, como eram chamados os habitantes desse local, desfrutavam de um ambiente harmônico. No entanto, ao analisar a violência no esporte,nota-se um cenário que não dialoga com a civilização apresentada por More. À luz disso, quando se estuda as causas e as consequências de tal ação no Brasil, percebe-se que essas perpassam pela conjuntura de um corpo social violento e também por esse refletir o “homem cordial”.
Em primeiro lugar, conforme o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada com um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Sob tal prisma, é que se verifica a impossibilidade de debater a violência no esporte como algo isolado, uma vez que a interação do corpo social faz com que haja a compreensão de que esse tipo de ação no esporte, na verdade, é resultado de uma civilização que adota a violência como meio de “solução”. Como observa-se, que essa prática esta presente no ambiente doméstico e no trânsito. Dessarte, nota-se que dificilmente se combaterá os atos de brutalidade presente no esporte com uma sociedade que se comporta, sobretudo, de maneira violenta.
Ademais, esse quadro reverbera o “homem cordial” elucidado pelo sociólogo Sergio Buarque de Holanda, em sua obra “Raízes do Brasil”. Prova disso, é que essa cordialidade -exposta pelo autor- não é definida pelo senso comum, o qual a associa ao homem educado, mas sim em relação a etimologia da palavra, que vem do latim cordiãlis, relativo ao coração. Desse modo, esse sujeito ignora a razão e, consequentemente, é guiado pelas emoções, o que o faz ser amável com seu semelhante e, ao mesmo tempo, agressivo com aquele que se posiciona diferentemente do seu ponto vista. Diante disso, constata-se que violência no esporte exemplifica esse comportamento cordial do brasileiro.
Logo, é mister que o Estado intervenha nessa situação. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação desenvolver políticas públicas mediante a repasse de verbas governamentais, com o propósito de coibir a violência no esporte. Nesse sentido, tais programas serão elaborados da seguinte forma: criar aulas nas instituições escolares destinadas à reflexão do comportamento do homem em sociedade, as quais serão discursadas por sociólogos e historiadores, por meio de dados que relatam a violência na nação e de obras literárias, como “Raízes do Brasil”- a fim de ensinar aos alunos que não existe o combate da violência no desporto de forma isolada, mas sim com condutas do corpo social pautadas na razão. Em vista disso, com a valorização da racionalidade o ser humano conseguir-se-á refletir a civilização utopiana.