Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

Enviada em 16/07/2020

Nos dias de hoje, o esporte que, teoricamente, deveria sublimar a violência, passou a ser a própria forma de manifestação desse fenômeno, sejam elas pelos próprios esportistas, sejam pelos torcedores ou pelas autoridades que tentam acalmar os ânimos dos dois lados. Contudo, a mazela é decorrente pela falta de preparo dos seguranças, tornando-se necessárias medidas de agressividade, na qual, lamentavelmente, resultam em diversas mortes e pela cultura forte de intolerância contra o oposto. Logo, medidas corretivas fazem-se primordiais.

A priori, é válido ressaltar o quão violento pode ser o esporte caso o indivíduo não seja instruído adequadamente. Isso decorre da cultura patriarcal e machista, na qual sempre se busca em uma competição a vitória e, nunca contenta-se com a derrota, gerando sentimentos exagerados, além do estímulo a demonstrações de superioridade, muitas vezes, através da violência verbal e física. Além disso, como afirma Zygmaunt Bauman, sociólogo polonês, vive-se numa época de fragilidades e imediatismo, que corrobora atos inconsequentes, como os praticados por alguns membros de torcidas organizadas e instituições que exacerbam a ideia de rivalidade, vindo a causar insegurança nos estádios, desvalorização do futebol e mortes.

Ademais, o despreparo dos policiais nos estádios em lidar com a violência nesse cenário alarma a situação. Isso acontece devido à forma em que tais agentes, na maioria das vezes, utilizam para reduzir esses acontecimentos, como por meio de spray de pimenta e bombas de efeito moral, além do uso de cassetetes e armas. Consequentemente, o que deveria acalmar os torcedores, torna-se motivo de desespero e agitação. Nesse mesmo viés, pode-se observar claramente tal impacto em uma reportagem feita pelo O Globo em julho de 2017, onde um vascaíno morreu depois de levar um tiro no tórax em confronto entre organizadas e a PM no entorno de São Januário. Vê-se, desse modo, as falhas cometidas pelas autoridades em conter uma problemática, mas ao mesmo instante realizar outra.

Portanto, o Ministério do Esporte, em parceria com a mídia, deve realizar campanhas nos estádios e  nas redes sociais, que visam transmitir a importância do futebol como meio de unir as classes, e retratar casos reais de pessoas que perderam suas vidas nos jogos, com o intuito da conscientização dos torcedores e de todos que fazem o uso dos estádios. Complementarmente, fica a cargo de a Polícia Militar efetuar cursos de como lidar com brigas, entre outros problemas em campo, com o intuito de diminuir a desordem da torcida. Sabe-se que os desafios são muitos, mas, combatendo-os, será possível colocar fim a violência nos estádios, e, por conseguinte, o futebol se tornará novamente um meio de bons valores.